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domingo, 13 de setembro de 2020

Exportação, consumo e produção criaram tempestade perfeita, diz produtor de arroz

Foto: Igo Estrela/Especial para o CB/D.A Press
A disparada de preços do arroz é resultado de uma "tempestade perfeita", segundo produtores. Segundo eles, o aumento decorre de mudanças no mercado externo, com aumento das exportações, e no interno, com brasileiro comendo mais em casa durante a pandemia.

O preço baixo nos últimos anos também é parcialmente culpado, uma vez que levou ao encolhimento da produção.

A avaliação é de produtores do Rio Grande do Sul ouvidos pela reportagem. O estado é o maior produtor do país e estima semear cerca de 970 mil hectares na safra 2020/2021, aumento de 3,5% em relação à área colhida na safra anterior.

"Aconteceu a tempestade perfeita. Pouco produto, a pandemia, aumento de consumo, desvalorização do real. Deu a explosão na cadeia", diz André Ceolin, sócio-proprietário do Grupo Ceolin, que produz e compra o grão. "Há anos o produtor vem se endividando e foi abandonando a lavoura porque não sobrava dinheiro no preço pelo qual era negociado o arroz."

O grupo não teria estoque até o fim do ano se seguisse vendendo na média de 80 mil a 100 mil fardos por mês (cerca de 190 toneladas), segundo ele.

Enquanto em 2019 o Brasil exportou 269.164,9 toneladas de arroz, segundo dados do Comex Stat, do Ministério da Economia, entre janeiro e agosto de 2020 o montante chegou a 487.428,8 toneladas.

Davenir Santos, de Eldorado do Sul (RS), conta que vendeu parte da produção logo no início da safra para pagar contas, quando o preço do saco variava entre R$ 48 e R$ 52.

Pouco tempo depois, com a abertura para exportação, 20% da produção de 2019/2020 foi vendida à Guatemala ao preço de R$ 61 por saco. Agora, ainda com estoque, ele consegue mais de R$ 100 por saco no mercado interno. Segundo o Cepea, na quinta (10) a cotação era de R$ 105.

"A gente vinha sofrendo há anos, arroz não dava mais lucro, só prejuízo", diz. "O preço está bom agora, mas o custo para produzir um saco aumentou bastante."
Segundo Ivo Mello, diretor técnico do Instituto Riograndense do Arroz, o número de produtores no estado caiu pela metade nos últimos 20 anos –hoje, são cerca de 7.000.

Apesar de a produção se manter em índices semelhantes, houve ainda redução na área plantada –ação recomendada pela autarquia para garantir preços melhores.

"Quem mais ganhou com esse valor e com exportação foram os grandes conglomerados. Quando chegou a R$ 70, R$ 80, o produtor médio e pequeno já tinha vendido para a indústria", diz Mello.

Raul Borges, presidente dos sindicatos rurais de Itaqui e Maçambará, avalia que o momento é bom para quem ainda tem produto e para quem já não tem estoque, porque pode balizar o preço futuro.

"O governo tirou a TEC (Tarifa Externa Comum) para importação, mas para os nossos insumos temos ainda várias TECs, em vários produtos que não podemos importar. Faz anos que reivindicamos isso no Mercosul", afirma.

A medida foi anunciada pelo Ministério da Agricultura para conter a alta dos preços, limitando a isenção de taxas de importação a 400 mil toneladas de arroz em casca e beneficiado até 31 de dezembro.

Silvio Farnese, diretor de comercialização e abastecimento da pasta, estima que o Brasil tenha ainda entre 4 milhões e 4,5 milhões de toneladas de arroz no mercado, e que por isso a retirada da tarifa deve garantir abastecimento ao país.
Ele diz ainda que não há previsão para retirada de tarifas para insumos e que o preço do arroz pode se manter alto pelos próximos meses.

"Depende do que vier de fora. Se os importadores trouxerem um produto mais barato –por exemplo, arroz parboilizado–, pode gerar tendência de redução", avalia.

Por: FolhaPress

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Pesquisa mostra que 200 mil bares e restaurantes podem fechar

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A reabertura gradual em diversos estados e o crédito oferecido pelo governo para tentar conter os impactos da crise do coronavírus ainda não foram suficientes para aliviar a situação financeira de bares, restaurantes, cafés e lanchonetes.

No mais recente levantamento realizado pela ANR (Associação Nacional dos Restaurantes), em parceria com a consultoria Galunion, do setor de alimentos, 22% dos donos de estabelecimentos afirmam que não conseguirão manter os seus negócios após a pandemia. Em dados absolutos, são 200 mil empresas do setor em todo o país que indicam dificuldades para sobreviver.

Trata-se de um aumento no pessimismo em relação a pesquisa anterior, realizada em junho, quando 15% avaliavam que não conseguiriam resistir aos efeitos econômicos da pandemia. A pesquisa foi realizada com empresas de todo o país de 27 de julho a 10 de agosto.

No novo levantamento, outros 42% dos estabelecimentos com mais de uma loja também afirmam já terem fechado unidades definitivamente por conta da crise. Na pesquisa anterior, eram 35%.

Segundo o presidente da ANR, Cristiano Melles, as restrições no horário de funcionamento e as regras de distanciamento, que diminui o número de lugares disponíveis nos estabelecimentos, comprometem a receita e dificultam a recuperação financeira.

Na média, 86,5% dos respondentes afirmam não faturar nem a metade em relação a julho de 2019, apontou o levantamento. "A prorrogação da MP do salário [medida provisória que permite redução de salário e jornada de trabalho em razão da pandemia] pode ajudar, mas ainda falta cliente nas casas", diz.

Os dados da pesquisa também apontam que 26% não conseguiram pagar a folha salarial no quinto dia útil de agosto. Além disso, 69% dos entrevistados suspenderam contratos ou reduziram jornadas e salários de seus funcionários. Desse total, 81% afirmam que vão renovar os acordos pelos prazos permitidos pela lei.

Para o presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Percival Maricato, apesar de o governo ter se demonstrado mais receptivo e flexível em relação aos horários de funcionamento, ainda existem caminhos alternativos para tentar melhorar os números do setor.

"O aumento de duas horas diárias no horário de funcionamento [para oito horas diárias] faz diferença, mas ainda estamos pedindo a possibilidade de ter mesas na calçada e de aumentar a lotação para pelo menos 60%, talvez 70% da capacidade", afirma.

Maricato afirma, ainda, que outros pontos também acabam prejudicando o movimento do setor. "Uma coisa é retomar a atividade, outra coisa é o movimento, que continua bem difícil".

Além do home office, que prejudica os estabelecimentos próximos a escritórios e faculdades, também há o temor de contaminação que continua forte e a fragilidade econômica, com muitos desempregados ou temendo por seus empregos", diz.

O levantamento da ANR traz que 79% dos entrevistados apontaram a falta de segurança dos consumidores para voltar a frequentar os estabelecimentos. O horário limitado (59%) e a falta de renda do consumidor (52%) também foram citados.

Ainda segundo a pesquisa, 64% dos bares, restaurantes, cafés e lanchonetes já demitiram. A associação estima que mais de um milhão de trabalhadores já perderam o emprego no segmento.

Desde o início da pandemia o setor também vinha batalhando para melhorar o acesso ao crédito de pequenos e médios empresários –tanto pelas iniciativas do governo como pelo próprio sistema financeiro.

O novo levantamento demonstra uma melhora na oferta de recursos, mas a restrição ainda é alta. Metade (50%) dos empresários que buscaram novas linhas de empréstimo para financiar o negócio tiveram suas propostas recusadas ou ficaram sem respostas –na pesquisa anterior, o número era de 76%.

Entre aqueles que ainda não conseguiram crédito, as razões mais apontadas são a falta de novas linhas pela instituição financeira (42%), a demora para a resposta –acima de 30 dias do pedido– (31%) e a falta de garantias (13%).
Parte dessa melhora aconteceu por causa do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). O governo havia liberado R$ 15,9 bilhões para a linha em maio, mas os recursos se esgotaram rapidamente em julho.

Nesta quarta-feira (19), o governo publicou no DOU (Diário Oficial da União) uma portaria estabelecendo a prorrogação do Pronampe por três meses e a expectativa é que haverá a liberação de mais R$ 12 bilhões para a linha.

"O crédito, além de chegar atrasado, veio apenas parcialmente. A situação melhorou um pouco, claro, mas não foram todos que conseguiram e esse talvez seja um dos motivos mais determinantes pelo número de casas fechadas", afirmou Maricato, da Abrasel.

Já para Melles, da ANR, o Pronampe serviu para o pequeno empresário, mas ainda não foi o suficiente. "Principalmente para a média empresa, que tem dois ou três restaurantes, ainda não existe nenhuma linha aprovada", disse.

"Se retirarmos a restrição de horários, já ajuda um pouco e a expectativa é que o setor consiga crescer de 5% a 8% por mês. Caso contrário, fica mais complicado e o crescimento não deve passar de 2% ou 3% nos próximos meses", afirmou Melles.

Por: FolhaPress

Pernambuco tem saldo de empregos positivo pela primeira vez desde o início da pandemia

Foto: Léo Malafaia
Pela primeira vez desde o início da pandemia, Pernambuco teve um número positivo na geração de emprego no mês. De acordo com dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em julho houve 26.453 admissões e 21.829 desligamentos no Estado, totalizando um saldo positivo de 4.624 trabalhadores com carteira assinada. 

O resultado, que é o segundo melhor do Nordeste, revela uma desaceleração do desemprego em Pernambuco e uma reação da economia. No mês de junho o Estado registrou um saldo negativo de -3.264 empregos. Os setores que mais geraram empregos em Pernambuco foram indústria (2.470), agropecuária (1.252) e construção (1.095). No entanto, o segmento de serviços, que costuma estar em alta, permanece negativo (-677 postos de trabalho). 

“Em 2019, neste mesmo período do ano, registrou-se um discreto saldo negativo de 96 empregos. Agora, apesar das perdas, apesar do nosso luto, apesar da pandemia, estamos reagindo, como determinou o governador Paulo Câmara. O Estado sinaliza que a reação está acontecendo e vamos ter dias melhores”, afirmou o secretário do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco, Alberes Lopes.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de abril a agosto, houve 622.126 acordos feitos por empresas em Pernambuco, que mantiveram os empregos. No acumulado do ano, houve 175.907 contratações e 239.008 demissões, gerando um saldo negativo de 63 mil postos de trabalho no Estado.

Da Folha de PE

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Pandemia pode levar 100 milhões à extrema pobreza, adverte Banco Mundial

Foto: Geoffroy Van Der Hasselt / AFP
A pandemia de coronavírus pode ter levado até 100 milhões de pessoas para a extrema pobreza, advertiu nesta quinta-feira o presidente do Banco Mundial (BM), David Malpass, em entrevista à AFP.

A instituição para o desenvolvimento, com sede em Washington, havia estimado, antes, que 60 milhões de pessoas cairiam na extrema pobreza, mas o novo cálculo situa a deterioração entre 70 e 100 milhões, e "este número poderia aumentar" se a pandemia piorar ou se prolongar, o que é possível, disse Malpass. 

O presidente do BM afirmou que a piora se deve a uma combinação de perda de empregos durante a pandemia e problemas de abastecimento que dificultam o acesso aos alimentos. "Tudo isso contribui para que as pessoas voltem a cair na extrema pobreza, quanto mais tempo persistir a crise econômica."

O BM se comprometeu a destinar 160 bilhões de dólares em financiamento a 100 países até junho de 2021, em um esforço para lidar com a emergência, mas, ainda assim, a extrema pobreza, definida como ganhar menos de 1,9 dólar por dia, segue aumentando.

A situação torna "imperativo" que os credores reduzam o montante da dívida dos países pobres em risco, além do compromisso de suspender o pagamento da mesma, disse Malpass na entrevista à AFP.

Ainda assim, mais países serão obrigados a reestruturar suas dívidas. "As vulnerabilidades da dívida são altas e o imperativo de enxergar uma luz no fim do túnel para que novos investidores possam entrar é substancial", acrescentou Malpass. Para continuar lendo, clique AQUI!

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Reabertura reduz perdas de empresas com pandemia, diz IBGE

Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco
Ao todo, 44,% das empresas pesquisadas disseram ter sentido impactos negativos nos negócios na primeira quinzena de julho

Com a reabertura do comércio na maior parte do país, caiu, na primeira semana de julho, o número de empresas que veem impactos negativos da pandemia em seus negócios, informou nesta terça (18) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A conclusão é da pesquisa Pnad Covid, criada para avaliar os impactos da pandemia nas empresas brasileiras. Ao todo, segundo o IBGE, 44,% das empresas pesquisadas disseram ter sentido impactos negativos nos negócios na primeira quinzena de julho. O valor é menor do que os 62,4% verificados na quinzena anterior. "Ainda há uma grande incidência de impacto negativo, mas já começamos a perceber uma melhora", diz o coordenador de Pesquisas Conjunturais de Empresas do IBGE, Flávio Magheli.

Entre as empresas pesquisadas, 28,2% relataram ter sofrido efeito pequeno ou inexistente e outras 27% disseram ter sentido efeitos positivos da pandemia em suas atividades. Foi a primeira vez, nas três edições da pesquisa, que esse contingente é maior do que aquelas que têm efeito negativo.

O comércio teve o maior contingente de empresas com percepção de impacto negativo sobre os negócios: 51,6%. O setor foi o menos prejudicado pela pandemia no Brasil e, em junho, já havia recuperado o patamar de vendas de antes da crise. A melhora de percepção foi grande no setor de serviços, o mais afetado pela crise, já que depende da abertura de estabelecimentos e da circulação de pessoas para funcionar. Nesse setor, o volume de empresas com percepção de efeitos negativos da crise caiu de 65,5% para 47%.

No segmento de serviços prestados às famílias -que inclui hotéis, restaurantes, academias e salões de beleza, por exemplo- ainda é maioria (55%) o número de empresas que têm percebido impactos negativos. A segunda atividade com maior percepção de perdas são os serviços profissionais, administrativos e complementares (48,3%), que incluem limpeza predial e terceirização de mão-de-obra, atividades que perdem com a adoção do home office. No comércio, a queda foi de 64,1% para 44%. A indústria, por outro lado, apresentou estabilidade com um impacto negativo em 42,9% das 313,4 mil empresas.

"Esse cenário retrata o processo de reabertura, com maior fluxo de pessoas refletindo-se nos negócios. É natural que a percepção negativa vá reduzindo a cada quinzena, na medida que o isolamento social vá diminuindo", comentou Magheli.

As pequenas empresas (com até 49 funcionários) são as mais afetadas, com 44,9% tendo relatado impacto negativo no período da pesquisa. Entre médias empresas (de 50 a 499 funcionários) e as de maior porte (a partir de 500 funcionários), o impacto foi menor: 39,1% e 39,2%, respectivamente.

Entre os impactos negativos mais citados pelas empresas, estão a queda nas vendas (46,8% disseram ter sentido o problema) e dificuldade de realizar pagamentos de rotina (citada por 47,4% das empresas). O IBGE estima que oito em cada dez empresas do país mantiveram funcionários após a pandemia. Para 13,5%, houve redução e, para 5,3%, houve aumento no número de empregados. O maior percentual de empresas que demitiram é na faixa intermediária (de 50 a 499 funcionários) e empresas de maior porte (500 ou mais).
Da Folha de Pernambuco

domingo, 16 de agosto de 2020

3,1 milhões de brasileiros perderam o emprego na pandemia, segundo o IBGE

Foto: Diana Raeder/Esp. CB/D.A Press
A crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus já deixou pelo menos 3,1 milhões de brasileiros sem emprego. É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Covid19), divulgada, nesta sexta-feira (14/8), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o IBGE, havia 9,8 milhões de desempregados no Brasil em maio, quando começaram os estudos sobre o impacto da pandemia do novo coronavírus no mercado de trabalho. No fim de julho, contudo, o número de brasileiros que estavam sem emprego já havia saltado para 12,9 milhões.

Os dados mostram um aumento de 31,6% no número de desempregados do Brasil ao longo de quatro meses de pandemia. É uma situação que fez a taxa de desemprego saltar de 10,5% para 13,7% entre maio e julho.

Baque da pandemia

A Pnad Covid-19 ainda mostra que, apesar de a atividade econômica estar dando sinais de recuperação, o mercado de trabalho continua sofrendo de forma intensa o baque da pandemia. É que 500 mil desses brasileiros ficaram sem emprego só na última semana de julho.

Segundo o IBGE, o número de desempregados cresceu de 12,4 milhões para 12,9 milhões só entre a semana de 19 a 25 de julho e a semana anterior. A taxa de desemprego, portanto, avançou de 13,1% para 13,7% só nesse período.

E os especialistas alertam que essa taxa deve continuar crescendo. Afinal, o mercado de trabalho demora a se ajustar diante de uma crise econômico. Além disso, muitos brasileiros que estão sem emprego ainda não estão buscando uma nova ocupação devido à pandemia.

Do Diario de PE

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Comércio registra nova alta em Pernambuco em junho

(Foto: Tarciso Augusto/Esp. DP)
O comércio pernambucano continuou mostrando sinais de recuperação em junho, quando registrou crescimento de 10,3% em relação a maio. Inclusive, essa é a maior alta na variação mensal desde o início da série histórica iniciada em janeiro de 2001. Além disso, o incremento no estado foi acima da média nacional, que ficou em 8%. Em maio, o desempenho em Pernambuco já havia sido de crescimento, de 9,9%, contra a queda de 16,6% em abril, o maior recuo registrado em quase 20 anos. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE.

Porém, em outras variáveis, o estado acumula perdas, o que revela que os efeitos da pandemia do coronavírus ainda continuam sendo sentidos. Em relação a junho de 2019, a queda foi de 6,4%, enquanto o Brasil teve variação positiva de 0,5%. No acumulado do ano, o varejo no estado recuou 7,8%, contra queda de 3,1% no país. O desempenho pernambucano foi o segundo pior desde o início da PMC, atrás apenas do primeiro semestre de 2016, quando a queda foi de 11,4%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a retração foi de 2,7%, enquanto a média nacional ficou estável em 0,1%.

Já o comércio varejista ampliado de Pernambuco, que inclui Veículos, motos, partes e peças e Material de construção, teve um crescimento ainda maior em junho, registrando alta de 14,8% em relação a maio. Todas as demais comparações apresentaram resultado negativo. A queda foi de 2,7% em relação a junho de 2019. No acumulado do ano o recuo foi de 8,7%, enquanto no acumulado dos últimos 12 meses a retração foi de 1,2%.

Seis das 13 atividades pesquisadas registraram queda em junho em comparação com o mesmo mês do ano anterior. O destaque negativo no comércio varejista ampliado do estado foi no setor de livros, jornais, revistas e papelaria, com recuo de 63,6%. Este grupo também apresentou a maior variação negativa no acumulado dos últimos 12 meses, com retração de 16,1%. Em maio, o segmento havia caído 85,2%. O segundo maior recuo foi no setor de Tecidos, vestuário e calçados, com saldo negativo de 57,2%. Outras retrações expressivas foram as nos segmentos de Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com queda de 36,7%, além de Combustíveis e lubrificantes, com retração de 21,6%, Outros artigos de uso pessoal e doméstico, como lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos ou brinquedos, com diminuição de 9,3%, e Veículos, motocicletas, partes e peças, com queda de 6,7%.

Das sete atividades que tiveram desempenho positivo em relação a junho de 2019, o de Móveis e eletrodomésticos foi o destaque positivo, com alta de 43%. O resultado foi puxado pelo aumento nas vendas de eletrodomésticos, com acréscimo de 56,6%. Já os móveis tiveram incremento de 7,8%. O setor de Materiais de construção teve incremento de 30%, enquanto Hipermercados e supermercados subiram 18,2%.

Do Diario de PE

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Consumidores que compraram alimentos pela internet chegam a 53%

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Uma pesquisa feita em 36 países mostra que no Brasil 53,4% dos consumidores compraram alimentos pela internet em 2019 e 50,3% optaram por serviços online de entrega dos produtos. 

Segundo o estudo Global Consumer Insights Survey 2020, da empresa PwC, com o isolamento social causado pela pandemia, 35% dos consumidores estão comprando alimentos pelos canais online e 86% planejam continuar assim após o final das medidas de isolamento social.

Entre os millenials ( nascidos após o início da década de 1980 até o final do século 20), 59% - e 57% desse grupo entre os que têm filhos - mostram um foco maior em seu bem-estar do que em outros grupos. 

Quanto aos cuidados pessoais, 51% dos consumidores residentes em áreas urbanas concordam que estão mais focados em cuidar do seu bem-estar e de sua saúde física e mental como resultado da covid-19. 

Os moradores de áreas urbanas, consultados após o início da pandemia, consideraram a proteção e a saúde tão importantes para sua qualidade de vida quanto as perspectivas de emprego (49% e 45%, respectivamente) em comparação com 45% no emprego.

Para realizar a pesquisa foram entrevistados 1.002 consumidores no país e o resultado mostra a tendência de mudança do comportamento do consumidor que já estava em curso antes da pandemia e se intensificou com a chegada da covid-19 ao Brasil. 

Hábitos e comportamentos
Segundo a PxC, o estudo foi produzido a partir de dados coletados antes e durante a pandemia e pretende analisar os hábitos e comportamentos de compra do consumidor residente em áreas urbanas e como a interrupção das atividades forçou a aceleração de um modo de vida mais digital, gerando uma nova era no consumo e afetando seus costumes em todos os aspectos da vida.

Em relação aos itens não alimentícios, antes do novo coronavírus as compras nas lojas físicas ainda eram dominantes (47%) em comparação com as compras online, por meio de telefones celulares (30%), computadores (28%) e assistentes de voz inteligentes (15%). Desde então, essas compras tiveram um aumento substancial (celulares 45%; computadores 41%e tablets 33%).

De acordo com os dados da primeira fase do estudo, antes da pandemia, 10,3% dos consumidores disseram fazer compras pela internet diariamente, enquanto 19,9% faziam uma vez por semana e 31,2% uma vez por mês. 

Outros 32,3% realizam compras online algumas vezes por ano, 4% uma vez por ano e 2,3% nunca compraram pela internet. O equipamento mais utilizado para essas compras é o computador (33,9%), seguido do smartphone (31,6%), tablet (18,4%) e assistentes de voz (13,5%).

Lojas físicas
Ainda assim, uma parte ainda prefere ir até uma loja física para a compra porque prefere experimentar o item (43,3%) e por perceber a atividade como um passatempo agradável (36,2%) ou por gostar do aspecto social de visitar a loja (24,9%). A proximidade da loja com o bairro onde o consumidor reside foi um fator influente para a compra pessoalmente para 34,7% dos entrevistados.

“Embora certas tendências estejam em alta há algum tempo, nossa pesquisa mostra que a pandemia aumentou o desejo dos consumidores por transparência, sustentabilidade e conveniência. As empresas mais recompensadas nesse cenário atual são as que estabeleceram a confiança com o consumidor, investiram em uma jornada de compra de ponta a ponta, sem problemas e sem atritos, e priorizaram a saúde e a segurança dos consumidores”, disse o sócio da PwC Brasil, Carlos Coutinho.

Da Agência Brasil

domingo, 19 de julho de 2020

Pernambuco prepara volta do turismo

Porto de Galinhas - Foto: Vinicius Lubambo
A previsão da Secretaria de Turismo do Estado é de que o turismo local retorne nos próximos três meses, julho, agosto e setembro

O turismo em Pernambuco não está mais na mesma rotina de receber visitantes, assim como o turismo no mundo todo. Muitos estabelecimentos hoteleiros ficaram fechados por alguns meses e estão retomando suas atividades gradativamente. De acordo com as estimativas da Secretaria de Turismo do Estado (Seturel-PE), nestes próximos três meses, julho, agosto e setembro, o turismo local deve ser retomado gradualmente. A partir do mês de outubro, será a vez do turismo nacional começar o seu retorno. E apenas em 2021 o turismo internacional retomará, afinal, outros fatores, como a malha aérea, precisam ser revistos.

Segundo o secretário de Turismo de Pernambuco, Rodrigo Novaes, todos os cuidados para a volta do turismo estão sendo feitos juntamente com a Secretaria de Saúde para manter em controle a taxa de curva do contágio da Covid-19. 

"Todas as ações estão sendo submetidas à Secretaria de Saúde. Por isso, os planos são de que julho, agosto e setembro teremos viagens curtas e passeios dentro de Pernambuco e estados vizinhos. Por exemplo, os hotéis em Porto de Galinhas estão retomando. Depois do retorno de voos pelo Brasil, aumentaremos os mercados do Sul e Sudeste. Ou seja, a partir de outubro devemos atrair nossos mercados principais, que são de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. E por último, apenas em 2021, vamos retomar o turismo internacional, a começar por Uruguai, Paraguai, Chile, já que dependerá de vários fatores de segurança", informou Novaes.

Um dos principais destinos em Pernambuco, Porto de Galinhas está começando a ganhar turismo aos poucos. A partir de segunda-feira, 20, mais uma etapa do plano do governo vai acontecer na cidade de Ipojuca (onde está localizada a praia de Porto de Galinhas), com a reabertura dos restaurantes, lanchonetes e similares. "A volta regional é dentro dos três meses. Em julho, os hotéis devem receber 10% da ocupação, agosto, 20%, setembro, 30%, e assim por diante. Fazer divulgação em redes sociais e mandar informações para os clientes habituais é uma forma de garantir que tudo está sendo feito de forma limpa e segura", destacou o vice-presidente do Porto de Galinhas Convention & Visitors Bureau, Otaviano Maroja.

Para essas retomadas, a Seturel-PE está criando ações de forma a atrair o visitante para um turismo com segurança. Um selo, que se chamará "Turismo Seguro" está sendo criado pela secretaria e deve ser anunciado na próxima semana. Ele vai conter uma série de protocolos, como normas de distanciamento entre os visitantes e uso de equipamentos de proteção, para que os estabelecimentos ligados ao turismo, como hotéis e restaurantes, possam garantir segurança aos seus clientes.

"Os estabelecimentos que quiserem aderir aos protocolos vão receber esse selo. E haverá fiscalização de diversos órgãos, como Empetur e Apevisa [Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária] para saber se eles estarão cumprindo as regras", disse Novaes.

Além disso, um hotsite chamado Bora Pernambucar (borapernambucar.com.br) foi lançado pela Seturel-PE para que os turistas consigam planejar suas próximas viagens. O hotsite contém dicas de locais em Pernambuco. 

Da Folha de PE

sábado, 18 de julho de 2020

71% dos brasileiros têm medo de perder o emprego durante a pandemia Por: Correio Braziliense

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O sentimento de que o pior da crise causada pelo novo coronavírus ficou para trás tem animado o governo e o mercado. Porém, ainda não é sentido pela maior parte dos consumidores brasileiros. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) explica que seis em cada dez brasileiros acreditam que a recuperação econômica ainda não começou e que essa retomada deve ser lenta. Por isso, os brasileiros seguem com medo de perder o emprego e continuam consumindo menos.

Em parceria com o Instituto FSB Pesquisa, a CNI ouviu mais de dois mil brasileiros para entender como a pandemia do novo coronavírus tem sido vista pela população. O levantamento constatou que 66% dos consumidores acreditam que a covid-19 terá grandes efeitos sobre a economia, 67% sentem que a recuperação econômica ainda não começou e 61% acham que essa retomada vai durar mais de um ano.

"A preocupação e o medo com a pandemia em si até reduziram um pouco entre maio e julho. Mas a preocupação com os seus efeitos continua presente", conta o gerente de análise macroeconômica da CNI, Marcelo Azevedo.

O que explica essa dicotomia de sentimentos é o efeito da pandemia do novo coronavírus sobre a renda dos brasileiros. De acordo com a pesquisa da CNI, até houve uma redução no número de brasileiros que admitiram ter perdido renda (de 40% para 31%) e ter ficado endividado (de 53% para 45%) na pandemia do novo coronavírus.

Porém, isso não reduziu o medo sobre a estabilidade financeira. Tanto que 71% dos trabalhadores ainda têm medo de perder o emprego. "Há uma incerteza sobre o próprio emprego e a renda. E as decisões de consumo estão sendo afetadas por isso", destaca Azevedo.

Corte de gastos
Segundo a CNI, 71% dos brasileiros cortaram gastos durante a pandemia e a tendência é que esse nível reduzido de consumo permaneça após o isolamento social, o que pode retardar a recuperação econômica. Prova disso é que menos de 10% dos brasileiros estão dispostos a aumentar o consumo de produtos duráveis como móveis, eletrônicos e eletrodomésticos depois da quarentena. Além disso, quase 70% dos brasileiros dizem que pretendem frequentar menos os bares e restaurantes e os shoppings.

"Os novos hábitos tendem a ser duradouros. Então, setores que registraram alta agora na pandemia, como os de produtos de limpeza, alimentos para consumo domiciliar e farmoquímicos, devem continuar com uma situação mais positiva. Já os demais podem ficar com a demanda reduzida por mais um tempo. Então, a liberação do comércio não significa que a crise chegou ao fim", alerta Azevedo.

Por: Correio Braziliense

terça-feira, 14 de julho de 2020

Impactos negativos atingem 89% das empresas pernambucanas

Comportamento dos clientes e demanda mudaram com a pandemia.
 (Foto: Leandro de Santana/Esp. DP)
A sondagem revelou um panorama difícil para as empresas pernambucanas. "Quem foi impactado negativamente, foi de forma muito forte em sua maioria. Já quem sentiu reflexos positivos, a maioria foi de forma leve. No primeiro caso, houve uma redução da demanda, uma mudança do comportamento dos clientes, que no momento de crise reduzem o consumo, e também da dinâmica de trabalho, como a redução ou paralisação da produção. Já as empresas que tiveram os impactos positivos, elas sentiram um aumento da demanda, mas também tiveram dificuldades, como adquirir insumos ou o aumento do preço deles, além da inadimplência e a concorrência maior porque muita gente passou a oferecer novos produtos", detalha Carolina Holanda, coordenadora da pesquisa e sócia da TGI.

O momento de dificuldades, no entanto, não paralisou as empresas e a inovação se tornou um caminho para manter os negócios vivos para sobreviver à pandemia. Das empresas pesquisadas, 92% implementaram ou estão desenvolvendo ações de inovação, sendo 23% ajustes internos, 20% com uso mais intenso de mídias digitais e 19% no desenvolvimento do novo serviço ou produto. "É essencial pensar em inovação em época de crise e, durante a pandemia, as empresas começaram a pensar quais eram os ajustes para sobreviver, o que poderiam fazer de diferente, como e em pouco tempo e com pouco dinheiro. As pessoas acreditam que tem que ser algo grande, que demanda muito dinheiro, mas às vezes é um ajuste interno, algo simples. Muitas inovaram em um processo interno, no uso de redes sociais para se comunicar ou como um novo modelo de vendas. Algumas conseguiram arrumar um jeito de se manter. Não alcançaram a mesma receita de antes da pandemia, mas não zeraram o faturamento", afirma.

O pós-pandemia também é um período que preocupa os empresários. Pela pesquisa, 63% revelaram que o período deve ser de dificuldades. Por outro lado, 37% acreditam na perspectiva de crescimento ou vão potencializar o crescimento durante o período da crise.

Pesquisa
Das empresas que participaram da pesquisa, 41% têm mais de 21 anos de existência; 26% de 11 a 20 anos; 19% de 6 a 10 anos; e 14% até cinco anos de vida. Entre as pesquisadas, 65% estão localizadas na Região Metropolitana, 29% cidades do interior de Pernambuco e 6% de outros estados nordestinos - que são as empresas com sede em outro estado, mas atuação em Pernambuco. Além disso, a sondagem englobou 13 setores, como moda, turismo, transporte, educação e alimentos. "Nossa prática é pautada pelo conhecimento da realidade local, entendemos que não tinha como ser diferente, nenhuma empresa pode aplicar modelos ou fazer mudanças sem considerar os impactos locais, mesmo passando por uma crise global", explica Carolina Holanda.

Do Diario de PE

sábado, 11 de julho de 2020

Setor de alimentação tem regras para reabrir em Pernambuco

Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco
Importantes normas deverão ser seguidas por funcionários, clientes e donos de estabelecimentos na retomada dos serviços de alimentação em cidades de Pernambuco. A partir do dia 20 de julho, o setor estará autorizado a retomar presencialmente suas atividades, de forma gradual e segura, com horário estabelecido de 6h às 20h e limite de 50% da capacidade do local. Todos os protocolos de higiene, distanciamento e comunicação foram divulgados pelo Governo de Pernambuco na última sexta-feira. Essa será a Etapa 6 do Plano de Convivência com a Covid-19, que também permitirá reabrir academias de ginásticas, com novos protocolos ainda a serem divulgados pelo governo.

Esta retomada estará liberada em municípios com um controle melhor na curva de contágio da Covid-19. Estarão contempladas 72 cidades da Região Metropolitana do Recife (RMR), Zonas da Mata Sul e Mata Norte. A região do Agreste, que passou por quarentena, estará liberada para a Etapa 4 na segunda-feira, 13 de julho. Já a região do Sertão, permanece na Etapa 4, que já se encontra.

Uma lista com 35 tópicos foi construída para os serviços de alimentação, que inclui restaurantes, lanchonetes, cafeterias e similares. Entre as regras estão: distanciamento de 1,5 metro entre as mesas de diferentes clientes; não poderá ter mais de 10 pessoas por mesa; os clientes devem permanecer sentados para se alimentarem, seja em mesas ou balcões; só pode retirar as máscaras na hora de comer; é preciso colocar máscaras para ir ao banheiro e está proibida a realização de shows e a música ambiente deve respeitar a limitação de 35 decibéis.

Em outros pontos de higiene, estão: cardápios precisam ser oferecidos em material que possibilite a desinfecção após cada atendimento; em estabelecimentos com bufê, a comida deve estar coberta com protetores e o funcionário que deve servir os clientes e, em locais de self-service, o estabelecimento precisa disponibilizar luvas aos clientes para se servirem.

Além disso, os estabelecimentos também terão de priorizar sachês individuais para temperos como sal e pimenta, palitos de dente e adoçantes. Deverão também disponibilizar álcool 70% em pontos do local.

“Conversamos com a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Pernambuco) e alguns associados, além de levantar experiências de outros lugares para montar os protocolos. Então fizemos um protocolo único para esse setor voltado para funcionar de maneira segura para não gerar aglomerações. Por isso, uma parte muito importante dessas normas é que todos estejam sentados no estabelecimento”, explicou a secretária executiva de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Maíra Fischer.

De acordo com o presidente da Abrasel em Pernambuco, André Araújo, todas as orientações estão sendo feitas aos estabelecimentos. “Eles estão com cartilha com as normas e vamos intensificar os cursos online de profissionalização com o Sebrae na próxima semana”, disse Araújo.

Da Folha de Pernambuco

domingo, 5 de julho de 2020

Ipea: Emprego deve se recuperar só após retorno da atividade econômica

Foto: Marcello Casal/Agência Brasil
A recuperação do mercado de trabalho brasileiro após o choque causado pela pandemia do novo coronavírus, causador da Covid-19, tende a ser mais lenta que o retorno da atividade econômica, que teve seu pior momento em abril. A avaliação é de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), que afirmam que a retomada depende do controle da pandemia.

O Ipea divulgou, no início da noite desta sexta (3), uma avaliação sobre os dados obtidos na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios focada nos impactos da ovid-19 (Pnad-Covid) e realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) e divulgada nesta sexta-feira (3).

O diretor adjunto de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, Marco Cavalcanti, explicou que, em momentos de crise, os custos de demissões fazem com que os dados do mercado de trabalho piorem mais lentamente que os efeitos imediatos na atividade econômica. De forma semelhante, os custos de contratação fazem com que a retomada dos empregos seja mais lenta em momentos de recuperação.

"Como há muitos custos, os empresários só vão contratar ou demitir se tiverem segurança do cenário econômico que vem pela frente. Se os empresários estiverem inseguros em relação às perspectivas futuras, vão pensar duas vezes antes de começar a contratar", diz o pesquisador. "Todo o cenário de recuperação da atividade econômica e do mercado de trabalho está condicionado, certamente, ao controle da pandemia."

Os dados da Pnad-Covid mostram que a taxa de desocupação aumentou para 12,1% nas duas primeiras semanas de junho. Na primeira quinzena de maio, o percentual era de 10,4%. Apenas na semana de 7 a 13 de junho, o número de trabalhadores que procuraram emprego e não encontraram aumentou em 700 mil pessoas, chegando a 11,9 milhões.

Cavalcanti explica que o aumento da taxa de desocupação está relacionado à queda de 0,7% na população ocupada e ao aumento de 1,2% na força de trabalho, que inclui todas as pessoas trabalhando ou procurando emprego. Uma das razões para tal aumento é que caiu 4,9% o número de pessoas que declararam não ter procurado trabalho por causa da pandemia. Em números absolutos, a queda representa cerca de 900 mil pessoas, que estavam fora da taxa de desocupação porque esta inclui apenas quem procurou trabalho e não encontrou.

"São pessoas que, possivelmente, estavam temerosas de sair às ruas e pessoas que estavam desalentadas achando que não iriam conseguir emprego", descreve Cavalcanti,  acrescentando que o outro lado do aumento da desocupação é inegavelmente ruim: o nível de ocupação caiu e chegou a apenas 49,1% da população em idade ativa.

Para o pesquisador, um dado considerado sinal de que os efeitos da crise podem estar arrefecendo é a redução do número de pessoas afastadas do trabalho por causa do isolamento social. Esse percentual caiu de 16,4 milhões para 12,9 milhões entre as primeiras quinzenas de maio e junho. "Na mesma linha, o número de pessoas trabalhando de forma remota caiu dentro da margem."

Ele resume que os sinais do mercado de trabalho são mistos, e a tendência é que o retorno de mais pessoas à busca de emprego pressione a taxa de desocupação. "Não dá para afirmar, com certeza, que, no que se refere ao mercado de trabalho, o pior já passou."

Da Agência Brasil

terça-feira, 30 de junho de 2020

Governo anuncia mais duas parcelas do auxílio emergencial de R$ 600

Auxílio emergencial - Foto: Divulgação
Desde que foi decretada a pandemia mundial, e o isolamento social foi recomendado para evitar o contágio pelo novo coronavírus, o governo brasileiro ofereceu um auxílio emergencial no valor de R$ 600, para 60 milhões de trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados. 

Inicialmente, o benefício foi criado para ter três parcelas, mas agora o governo decidiu prorrogar o auxílio por mais duas parcelas. Em cerimônia na tarde desta terça-feira (30) o presidente Jair Bolsonaro anunciou a prorrogação do benefício.

"Cumprindo o que o Congresso Nacional nos determinou de que poderia, por ato do Poder Executivo, prorrogar as três parcelas do auxílio emergencial. É o que o presidente está fazendo hoje para garantir por mais dois meses esse benefício", disse o ministro Onyx Lorenzoni (Cidadania), em cerimônia em Brasília.

Na semana passada, ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, Bolsonaro chegou a falar em três parcelas extras do benefício, de R$ 500, R$ 400 e R$ 300, o que não se concretizou. As duas próximas parcelas devem ser de R$ 600.
Segundo Lorenzoni, o benefício chega a 65 milhões de brasileiros, entre desempregados, trabalhadores informais, contribuintes individuais do INSS, inscritos no CadÚnico e beneficiários do Bolsa Família.

A Caixa Econômica Federal, que faz o pagamento dos valores, recebeu mais de 100 milhões; cerca de três em cada dez foram negadas, mas ainda há cidadãos aguardando para receber a primeira parcela.

Confira quem tem direito

De acordo com a lei, pode receber o auxílio quem cumprir as seguintes condições, acumuladamente:
É maior de 18 anos (exceto mães)
Não tem emprego formal
Não recebe benefício assistencial ou do INSS, não ganhe seguro-desemprego ou faça parte de qualquer outro programa de transferência de renda do governo, com exceção do Bolsa Família
Tenha renda familiar, por pessoa, de até meio salário mínimo, o que dá R$ 522,50 hoje, ou renda mensal familiar de até três salários mínimos (R$ 3.135)
No ano de 2018, recebeu renda tributável menor do que R$ 28.559,70

O futuro beneficiário deverá ainda cumprir pelo menos uma dessas condições:
Estar desempregado
Exercer atividade como MEI (microempreendedor individual
Ser contribuinte individual ou facultativo da Previdência, no plano simplificado ou no de 5%
Trabalhar como informal empregado, desempregado, autônomo ou intermitente, inscrito no CadÚnico até 20 de março deste ano ou que faça autodeclaração e entregue ao governo

Por Agência Brasil e Folhapress

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Crise do coronavírus fecha 1,4 milhão de vagas formais, diz governo

Carteira de trabalho -: Foto: Agência Brasil
Nos dois primeiros meses do ano, a economia brasileira vinha criando postos de trabalho

O mercado de trabalho brasileiro fechou mais 331,9 mil vagas em maio. Desde o início das medidas de restrição da pandemia do coronavírus (em março), o total dos postos fechados chega a 1,4 milhão.

O número do mês foi divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Ministério da Economia e é resultado de 703,9 mil admissões e 1,03 milhão de desligamentos. Os resultados negativos são puxados pelo setor de Serviços (que fechou 143,4 mil vagas de trabalho).

Em seguida, estão Indústria (corte de 96,9 mil postos). Comércio (fechamento de 88,7 mil vagas) e Construção (menos 18,7 mil vagas). Já a Agricultura criou 15,9 mil postos.

Nos dois primeiros meses do ano, a economia brasileira vinha criando postos de trabalho. Em janeiro e fevereiro, antes da crise de saúde pública, o país criou 338 mil vagas -quase 50% a mais do que o registrado nos dois primeiros meses de 2019.

Com o resultado negativo entre março e maio, já sob efeito de medidas restritivas nas cidades e fechamento de comércio e empresas, passou a haver saldo negativo no ano.

Assim, se considerados os primeiros cinco meses de 2020 há um saldo negativo de 1,1 milhão mil vagas formais. No mesmo período de 2019 haviam sido criados 313,8 mil postos de trabalho formais no país.

Por Folhapress

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Nordeste terá prejuízo de mais de R$ 1 bilhão sem festas de São João

O cancelamento e adiamento das festas de São João em função da pandemia do novo coronavírus deve resultar em um prejuízo de pelo menos R$ 1 bilhão na economia dos principais estados do Nordeste.

A estimativa refere-se apenas às maiores festas juninas de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia. Mas o impacto é muito maior, já que são realizados arraiás de pequeno porte em quase todas as cidades nordestinas.

As cidades de Caruaru (PE) e de Campina Grande (PB), que realizam as duas festas de São João mais famosas do Brasil, deixaram de movimentar, juntas, R$ 400 milhões durante o período junino. Em Mossoró (RN), a festa previa uma movimentação de R$ 94 milhões, impacto frustrado pela pandemia.

Segundo a prefeitura de Caruaru, o evento gera 20 mil empregos e movimenta cerca de R$ 200 milhões na economia local. Só em impostos, o município estima que vai deixar de arrecadar R$ 2 milhões apenas em junho — verba que poderia ser usada em diversas áreas, como saúde e educação.

“A festa movimenta todos os setores da nossa economia. Dos repentistas aos trios de forró, da gastronomia à rede hoteleira, todo mundo depende do São João”, diz Raquel Lyra (PSDB), prefeita de Caruaru desde 2017.

De fato, em junho do ano passado, o setor hoteleiro de Caruaru tinha quase 100% das vagas ocupadas para turistas — a prefeitura calcula que dois milhões de pessoas de fora visitaram o município durante o evento do ano passado. Mas desta vez, com o cancelamento da festa, a rede praticamente não tem hóspedes, segundo a prefeita.

No ano passado, organizar o São João custou R$ 12 milhões. Segundo Lyra, a maior parte desse dinheiro foi arrecadado por meio de patrocínios de empresas privadas. “Antes da pandemia, já tínhamos captado R$ 7 milhões para o evento deste ano. Nosso objetivo é tornar a festa autossustentável”, diz.

Para a prefeita, ficar sem São João é como se uma parte do ano não existisse. “Em Caruaru, nós dividimos o ano em antes e depois do São João. Não ter a festa deixa um vazio muito grande, porque ele faz parte da nossa identidade, tanto na questão cultural quanto religiosa”, afirma.

A cidade de Campina Grande, na Paraíba, disputa com Caruaru o título de maior São João do Nordeste — e, neste ponto, não há muito consenso. No quesito econômico, porém, o município também está sofrendo com um mês de junho sem a festa, embora a prefeitura ainda queira realizá-la em outubro.

“A gente estima que o São João movimente cerca de R$ 200 milhões todos os anos. São 5 mil empregos. É uma cadeia produtiva enorme, que sustenta muita gente: dos vendedores ambulantes à gastronomia local”, diz Romero Rodrigues (PSD), prefeito da cidade.

Na Bahia, onde as principais festas são pulverizadas em várias cidades de médio porte, o governo estima que o São João movimenta cerca de R$ 550 milhões na economia.

Em 2019, apenas as prefeituras baianas investiram cerca de R$ 190 milhões em serviços relacionados às festas, como a montagem de estruturas, atividades culturais e contratação de artistas.

Já as 60 maiores festas privadas de São João, São Pedro e Santo Antônio arrecadaram cerca de R$ 110 milhões e atraíram cerca de 500 mil pessoas.

Fonte: Folha de S. Paulo e BBC Brasil

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Quase 18 milhões de brasileiros não conseguiram procurar emprego na pandemia

Foto: Marcello Casal/Agência Brasil
O contingente de informais caiu ao longo do mês, indo de 35,7% na primeira semana do mês para 34,5% na última

Aproximadamente 17,7 milhões de brasileiros não conseguiram buscar emprego no último mês de maio, em meio à pandemia do novo coronavírus no Brasil, informou nesta terça-feira (16) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Esse montante representa os brasileiros que estão fora da força de trabalho e gostariam de estar trabalhando, mas não procuraram uma ocupação ou por causa da pandemia ou por não ter trabalho na localidade em que moram -o que também pode estar ligado à Covid-19.

Outras 10,9 milhões de pessoas estavam desempregadas no período e não encontraram ocupação. Assim, no total, cerca de 28,6 milhões de pessoas tiveram acesso restrito ao mercado de trabalho durante o mês de maio.

No fim de maio, o IBGE já havia divulgado na Pnad Contínua que a pandemia do novo coronavírus contribuiu para que 4,9 milhões de posto de trabalho fossem perdidos no Brasil no trimestre encerrado em abril, um recorde na série histórica. Desse total, 3,7 milhões postos de trabalho informais foram perdidos.

Segundo a Pnad Covid divulgada nesta terça, o contingente de informais caiu ao longo do mês, indo de 35,7% na primeira semana do mês para 34,5% na última, com redução de 870 mil postos informais no período.

Segundo Cimar Azeredo, diretor de pesquisas do IBGE, a informalidade funciona como um amortecedor para as pessoas que vão para o desemprego ou para a subutilização.
"O trabalho informal seria uma forma de resgate do emprego, portanto não podemos dizer que essa queda é positiva", afirmou Azeredo.
De acordo com o IBGE, como a pesquisa é inédita, é necessário aguardar os próximos resultados para avaliar com mais precisão o impacto da pandemia entre os informais.

Outros dois indicadores divulgados pelo IBGE em junho mostram os impactos da pandemia na economia brasileira. A indústria teve queda de 18,8% na comparação com março, e 27,2% se analisado o mesmo período do ano passado. Já o comércio recuou 16,8% nos dois níveis de análise. Os números, tanto no setor industrial quanto no varejo, são recordes negativos.

Um dos setores que mais sentiu o distanciamento social foi o da indústria têxtil, com queda de 28,5% na produção industrial e 60,6% do comércio de vestuário, tecidos e calçados. 
Segundo Fernando Pimentel, presidente da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), mais da metade das empresas do setor demitiram durante a pandemia.
Segundo ele, se não fosse a MP (Medida Provisória) 936, que autoriza o corte de salários e jornadas de trabalhadores, o número de demissões teria sido bem maior.

"A economia despencou. Se não tivessem essas medidas, mais empregos teriam sido perdidos. A redução de quadros foi de até 20% do contingente e englobou cerca de 60% das empresas", disse Pimentel.

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, apontou que a flexibilização nas medidas restritivas, que vem ocorrendo em alguns estados neste mês de junho, vai ajudar a economia a se recuperar e novos postos de trabalho surgirem.

"Hoje, consigo enxergar uma recuperação. A economia vai reabrir de maneira gradativa e vamos sentindo com mais intensidade em junho e assim por diante", apontou o economista, fazendo ressalvas que a melhora vai depender também da evolução da pandemia, já que novas medidas restritivas podem frear a retomada.

A Pnad Covid foi divulgada pela primeira vez pelo IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde, e mobilizou dois mil agentes, que vão ligar a 193,6 mil domicílios em 3.364 cidades em todo o país.

O primeiro caso conhecido de Covid-19 ocorreu em 25 de fevereiro. No mês seguinte, março, o país começou a sentir os efeitos econômicos do novo coronavírus, com fechamento de bares, restaurantes e comércio como forma de evitar avanço da pandemia.

Por Folha de Pernambuco

terça-feira, 16 de junho de 2020

Sesc Ler Surubim promove live sobre empreendedorismo

Foto: Divulgação/Reprodução
Lucas Teixeira, idealizador do “Inspira, Não Pira” dará dicas de como começar a empreender de forma tranquila nesta terça-feira (16/06), às 17h, com transmissão pelo canal do Sesc no Youtube

Em meio à pandemia do novo coronavírus, que provocou uma grande turbulência na economia mundial e deixou muita gente preocupada com o futuro, o Sesc Ler Surubim realiza uma live sobre empreendedorismo, nesta terça-feira (16/06), às 17h. O convidado será o professor Lucas Teixeira, idealizador do projeto Inspira, Não Pira. O tema da live é “Juventude Empreendedora: dicas de como começar a empreender (sem piração)”. A live será transmitida pelo canal do Sesc Pernambuco no Youtube (www.youtube.com/sescpernambuco). 

O objetivo é mostrar possibilidades para iniciar um projeto de empreendedorismo de forma criativa, levando em consideração as oportunidades que estão diante dos olhos, mas não se consegue enxergar o potencial; o criar, o fazer diferente para não ser mais um em um mercado tão competitivo; e as mudanças que surgem no decorrer do processo. “É uma oportunidade para a juventude descobrir maneiras de como conquistar um espaço de destaque no mercado após a pandemia”, afirma Amanda Roberta, assistente social do Sesc Ler Surubim.     

Inspira, Não Pira – O projeto surgiu em Campina Grande/PB, buscando contribuir com a educação empreendedora das escolas e universidades, trazendo metodologias ágeis em uma linguagem mais descontraída e divertida, que facilita e engaja o processo de aprendizado. Trata-se de um projeto “despiracional”, que tem como objetivo traduzir assuntos importantes para as pessoas de uma forma mais divertida e descontraída. As dicas são transmitidas em forma de palestras, oficinas e pelo Instagram. 

Serviço – Live “Juventude Empreendedora: dicas de como começar a empreender (sem piração)”
Convidado: Lucas Teixeira (idealizador do projeto Inspira, Não Pira) 
Data: 16 de junho
Horário: 17h
Transmissão: canal do Sesc no Youtube (www.youtube.com/sescpernambuco) e no perfil do projeto no Instagram (@inspira_npira)

Da Assessoria

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