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segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Auxílio emergencial manteve economia ativa em municípios mais pobres, diz estudo da UFPE

Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco
Um estudo realizado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) mostrou que o auxílio emergencial de R$ 600 foi responsável por manter a economia ativa durante a pandemia em municípios de menor renda e Produto Interno Bruto (PIB) e alta vulnerabilidade.

Segundo um dos autores do estudo, as regiões Norte e Nordeste tiveram maior impacto com o recebimento do auxílio.

“Se for olhar o impacto sobre o PIB ou sobre a massa de rendimentos das famílias, tem vários municípios de estados do Norte e do Nordeste que se beneficiam bastante, como o Pará e o Maranhão. No estudo, a gente apresenta uma relação desses estados, onde tem [lugar] que o impacto sobre o PIB do estado chega a ser mais de 8% e, em nível de município, tem alguns que chega a ter impacto de 27%”, explicou o professor de economia da UFPE, Ecio Costa.

Ainda de acordo com o estudo, apesar de o estado de São Paulo ser o maior recebedor de recursos, em termos absolutos, quando comparado com o tamanho da sua economia e o impacto sobre o PIB, sua posição é de 25º. O estado mais beneficiado é o Maranhão, com algo em torno de 5% do seu PIB. “Os municípios das regiões Sul e Sudeste são os menos impactados relativamente analisando, ou seja, como percentual do PIB”, apontou Costa.

Para o pesquisador, o que mais chamou a atenção na pesquisa foi a eficácia e o foco da política. “A política vai diretamente na família dos municípios mais pobres das regiões mais pobres do Brasil e traz um impacto significativo para esses municípios, justamente pela forma como está sendo conduzida: não há intermediários, é uma transferência de recursos direta para essas pessoas que mais precisam, quer sejam cadastrados no Bolsa Família, Cadastro Único e também os informais. Então, traz realmente um impacto significativo tanto nas famílias mais pobres, como nos municípios que mais necessitam”, analisou.

Com relação à utilização do dinheiro, o professor diz que a verba tem sido utilizada de forma bem pulverizada. “Em geral, as famílias gastam com alimentação, vestuário, pagamento de contas, compra de itens para a casa, de forma que teremos isso bem pulverizado. São milhões de pessoas recebendo esses recursos distribuídos ao longo do país como um todo, fazendo com que tenham a liberdade para gastar como bem entender”, finalizou.

Da Agência Brasil

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Economistas recomendam austeridade às famílias

Wilson Dias / ABR
A queda de renda dos brasileiros em meio à crise econômica provocada pela pandemia de Covid-19, preocupa os economistas. As razões para a diminuição do poder aquisitivo estão no desemprego no mercado formal (com carteira assinada), na desocupação de trabalhadores informais (sem registro) e na redução negociada de rendimentos.

Os efeitos são sentidos na queda do poder aquisitivo e na capacidade de consumo das famílias. Conforme mostrado pela Agência Brasil, o percentual de famílias com dívidas, em atraso ou não, chegou a 66,6% em abril deste ano – recorde desde janeiro de 2010. As projeções a médio prazo também despertam atenção. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que os brasileiros possam chegar até 8% mais pobres em 2021, na comparação com 2019.

“É um momento muito complicado, as famílias já estavam endividadas. A redução de renda é muito grave porque há pessoas passando necessidade”, diz o economista Ronalde Lins. “Quem perdeu o emprego não vai conseguir recuperar em curto prazo, mesmo que aceite salário mais baixo”, afirma Newton Marques, também economista. 

O presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, César Bergo, avalia que o comprometimento dos orçamentos domésticos e o desemprego se agravam com os riscos à saúde, que exigem reclusão. “A pessoa não tem dinheiro, ainda vai ficar doente? O melhor é cuidar da saúde”, afirma, acrescentando que “não se esperava tanto tempo nesse período de isolamento”.

Racionalização de gastos
Nenhum economista prescreve receita mágica ou ad hoc (expressão latina cuja tradução literal é "para isto" ou "para esta finalidade") como descreve Bergo. Em meio à recessão econômica, a bula prevê mais austeridade. As famílias precisam de “mais disciplina e racionalização de gastos. É questão de fechar o caixa e direcionar recursos. A despesa tem que estar dentro do orçamento”, recomenda.

O presidente do Conselho Regional de Economia frisa, no entanto, que “o momento é de fazer foto, mas enxergar com a luneta. Tem que olhar o futuro. O importante é ganhar tempo. A gente sabe que a pandemia não vai durar para sempre”.

O economista Ronalde Lins também diz que “não existe momento eterno sem dinheiro, sem recurso financeiro.” Por ora, ele orienta as famílias a não fazerem novos compromissos, focar no atendimento às necessidades básicas, como alimentação, renegociar dívidas e prolongar pagamento. Abra o jogo: diga não tenho dinheiro”.

Lins admite, porém, que a negociação “é difícil” no momento. “Dizer que não vai pagar para quem tem a receber é outro complicador. Uma bola de neve. A não paga B, B não paga C, e assim a economia quebra”.

Ronalde Lins é consultor de empresas privadas e observa que seus clientes sofrem com percalços para obter novos empréstimos ou rever condições de antigas operações de crédito.

“Os bancos estão fazendo propaganda que não estão cumprindo, ou beneficiando poucos. Todos os bancos estão dizendo que têm recursos. Infelizmente, os bancos não têm tido esse compromisso. Diversos clientes meus, pessoas jurídicas, não conseguiram recursos com benefício de taxa mais baixa e prolongamento de prazo. Estão colocando muita dificuldade”.

Segundo ele, a situação é ruim para as empresas e para as famílias. Apesar de quedas recentes, as taxas cobradas pelos bancos estão bem acima do que o Banco Central estabelece para a Selic (3% ao ano). Entre março e abril, a taxa de juros total do rotativo do cartão de crédito desceu de 327,1% em março para 313,4% em abril. No cheque especial, a redução dos juros foi de 130% para 119,3%.

Nesse cenário, de “taxas elevadas e absurdas”, o economista Newton Marques espera novas decisões macroeconômicas e que os bancos negociem. “A sociedade tem o direito de exigir medidas concretas. É preciso abrir os cofres. Não tem outra saída em qualquer país do mundo. É momento de guerra”, define.

Além do alto custo para famílias e empresas tomarem dinheiro emprestado, Marques aponta que há exigências de garantias que não podem ser atendidas. “Os bancos não podem fazer análise de risco exigente. Quem está precisando de dinheiro vai sucumbir a critérios rigorosos”, salienta.

Da Agência Brasil

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Economistas melhoram expectativa para economia em 2019 e 2020

Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O mercado financeiro aumentou a projeção para o crescimento da economia e reduziu a estimativa de inflação para este ano. Segundo o boletim Focus, pesquisa divulgada todas as semanas pelo Banco Central, a previsão para a expansão do PIB foi ajustada de 0,81% para 0,83% neste ano.

A previsão para 2020 também subiu e passou de 2,1% para 2,2%. Para 2021 e 2022 não houve alteração nas estimativas: 2,5%. As informações são da Agência Brasil.

A estimativa de inflação, calculada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), caiu de 3,76% para 3,71%. Não houve alteração nas estimativas para os anos seguintes: 3,90%, em 2020, 3,75%, em 2021, e 3,5%, em 2022.

A meta de inflação, definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), é 4,25% em 2019, 4% em 2020, 3,75% em 2021 e 3,5% em 2022, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 6%. Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

Quando o Comitê de Política Monetária aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Para o mercado financeiro, ao final de 2019 a Selic estará em 5% ao ano. Para o final de 2020, a estimativa permanece em 5,5% ao ano. No fim de 2021 e 2022, a previsão segue em 7% ao ano.
A previsão para a cotação do dólar ao fim deste ano subiu de R$ 3,75 para R$ 3,78 e, para 2020, de R$ 3,80 para R$ 3,81.

Da Folha Press

domingo, 16 de junho de 2019

Joaquim Levy pede demissão da presidência do BNDES

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No sábado (15), Bolsonaro declarou seu descontentamento com as ações do economista, afirmando que estaria com 'a cabeça a prêmio'

O economista Joaquim Levy renunciou à presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) neste domingo (16), após declarações do presidente Jair Bolsonaro, de que ele estava "com a cabeça a prêmio". A saída de Levy do banco de fomento é a primeira baixa na equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, e mais uma crise do governo.


"Solicitei ao ministro da Economia, Paulo Guedes, meu desligamento do BNDES. Minha expectativa é que ele aceda", disse Levy, em mensagem a Guedes.
O economista agradeceu a lealdade, dedicação e determinação de sua diretoria. "Agradeço ao ministro o convite para servir ao país e desejo sucesso nas reformas."

No sábado (15), Bolsonaro disse estar "por aqui" com o economista. O estopim, segundo o presidente, foi a indicação de Marcos Barbosa Pinto para a diretoria de Mercado de Capitais do banco. Ele foi assessor do BNDES no governo do PT e voltaria ao banco para o cargo de diretor de Mercado de Capitais do BNDES.

Leia também:
Bolsonaro ameaça demitir Levy do BNDES e diz estar 'por aqui' com economista
Levy diz que reforma pode favorecer investimentos em infraestrutura
Brasil vive momento de nova confiança no empreendedorismo, diz Levy

Levado por Guedes para a presidência do BNDES durante a atual gestão, Levy foi ministro da Fazenda de Dilma Rousseff (PT). Assim como o ministro, ele fez doutorado na Universidade de Chicago –reduto do pensamento econômico liberal.

Bolsonaro disse que "governo é assim, não pode ter gente suspeita" em cargos importantes. "Essa pessoa, o Levy, já vem há algum tempo não sendo aquilo que foi combinado e aquilo que ele conhece a meu respeito. Ele está com a cabeça a prêmio já há algum tempo", afirmou. 

A resistência do presidente a Levy vem desde o governo de transição. Presidente eleito, em novembro de 2018, ele disse que, ao aceitar a indicação, precisava "acreditar em Guedes". Na ocasião, Bolsonaro afirmou que "houve reação" ao nome de Levy por ele ter "servido à Dilma e ao [ex-governador do Rio do Janeiro Sérgio] Cabral". Ele foi secretário de Finanças.

Antes de assumir o cargo de presidente do BNDES, Levy foi diretor financeiro do Banco Mundial, em Washington. Também trabalhou como técnico do FMI (Fundo Monetário Internacional). No setor privado, o economista foi diretor do Bradesco.

Barbosa Pinto, no sábado, enviou uma carta a Levy, à qual a reportagem teve acesso, para renunciar ao cargo. Bolsonaro havia dito pouco antes que o presidente do BNDES tinha de demitir o advogado ou seria demitido até esta segunda-feira (17).

O advogado, que foi assessor e chefe de gabinete da presidência do BNDES em 2005 e 2006, afirmou ter "muito orgulho" da própria carreira. Ele, informalmente, ajudou o governo petista na elaboração de projetos de PPPs (parcerias público-privadas).

Em entrevista à revista Capital Aberto, Barbosa Pinto disse que colaborou na criação do Prouni, programa que concede bolsas a alunos carentes, com então ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), em 2008. Bolsonaro venceu Haddad no ano passado.
Barbosa Pinto atuou ainda na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

No setor privado, de 2011 a 2018, foi sócio de Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, na Gávea Investimentos. Integrou conselhos de administração de diversas empresas.

O advogado recebe elogios de economistas. A decisão de enviar a carta, mesmo sem ter conseguido conversar com Levy, foi para demonstrar que não tem engajamento partidário.

A intenção de não ser usado como pivô de disputa política na aérea econômica do governo pesou na decisão. Ele tomou posse na quarta-feira (12) e começaria a trabalhar na segunda.

Guedes indicou insatisfação com o trabalho de Levy à frente do BNDES em entrevista a Gerson Camarotti, do G1, neste sábado. "O grande problema é que Levy não resolveu o passado nem encaminhou solução para o futuro", afirmou o ministro.

Guedes referia-se a investigações de possíveis responsáveis por empréstimos concedidos pelo banco a empreiteiras, nos governos do PT, para obras no exterior. Em troca, elas pagariam propina.

Até o momento, nenhum funcionário do banco foi apontado como participante do esquema, mas Bolsonaro e Guedes insistem no discurso de abrir a caixa-preta do BNDES.

Outro motivo de descontentamento do ministro com Levy é a resistência do economista em devolver o dinheiro injetado no BNDES no passado.Guedes já disse que espera receber R$ 126 bilhões neste ano, mas Levy não se comprometeu com a cifra. Os recursos são tratados como necessários para ajudar no ajuste fiscal do governo.

Demissões

Na quinta-feira (13), o governo anunciou a saída do general Carlos Alberto dos Santos Cruz, após seguidas crises com os filhos do presidente.

Em encontro com jornalistas, Bolsonaro disse na sexta (14) que demitiria também o general Juarez Aparecido de Paulo Cunha da presidência dos Correios por ter comportamento sindicalista.

Da Folha de PE

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Economistas prevêem rombo de R$ 99 bilhões nas contas públicas de 2019

Foto: Reprodução/Pixabay
Os economistas estão prevendo um resultado primário melhor para as contas públicas brasileiras. Segundo projeções divulgadas no Prisma Fiscal, do Ministério da Economia, a expectativa do rombo nas contas públicas de 2019 tombou de R$ 102,3 bilhões para R$ 99,5 bilhões. As perspectivas foram divulgadas na manhã desta quinta-feira (14/2) pela pasta. 

Se concretizado o valor, será o quinto ano consecutivo de deficit nas contas públicas. O resultado primário apresenta resultados negativos desde 2014, fruto da expansão dos gastos obrigatórios. Na prática, cerca de 93% das despesas do orçamento já estão vinculadas a dispositivos específicos.

Os benefícios previdenciários são os que consomem a maior parte, representando mais de 50% do total de custos do governo federal. Por isso, os economistas ressaltam a necessidade de se fazer a reforma da Previdência. 

Segundo o Prisma Fiscal, por conta da previsão menor no deficit, hoje uma perspectiva melhor para a dívida bruta do país, que antes estava em 78,2% do Produto Interno Bruto (PIB) e agora está em 78,0% do PIB. 

Para compor o rombo de R$ 99,5 bilhões, os economistas avaliam que o governo federal terá uma receita líquida de R$ 1,322 trilhão. Já as despesas serão de R$ 1,423 trilhão. A arrecadação do governo federal deverá compor R$ 1,569 trilhões. 

Ao término de 2020, a expectativa é de um rombo de R$ 65,4 bilhões, com dívida pública em 79,3% do PIB. 

Do Correio Braziliense

segunda-feira, 2 de julho de 2018

46% dos usuários do cheque especial recorrem ao limite todos os meses, apontam SPC Brasil e CNDL

Foto: Reprodução/Internet
Pesquisa mostra que maioria não buscou outra alternativa de crédito antes de entrar no limite do banco; 63% desconhecem o valor dos juros cobrados. Uso foi destinado, principalmente, a cobrir imprevistos com saúde e pagar dívidas
Assim como o cartão de crédito, o cheque especial é uma das modalidades de crédito mais populares entre os consumidores brasileiros. Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em todo o país revela que 17% dos consumidores recorreram ao cheque especial nos últimos 12 meses ― sobretudo as classes A e B (29%) ―, sendo que quase a metade (46%) possui o hábito de entrar todos os meses e 20% a cada dois ou três meses. Por outro lado, 80% afirmam não ter usado o limite neste período.
Seu uso teve como principais finalidades cobrir imprevistos com doenças e medicamentos (34%), quitar dívidas em atraso (23%) e realizar manutenção de automóveis ou motos (18%). Outros 17%, entraram no cheque especial por descontrole no pagamento das contas. A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, alerta que o fato do serviço não exigir qualquer tipo de burocracia ou garantia acarreta no alto custo de uso. “Sem perceber, muitos entram no limite por achar que o recurso faz parte do seu saldo bancário. E no fim das contas, acabam pagando juros altos”, ressalta.
Prova disso é que quase a metade dos entrevistados (45%) reconhece não ter analisado as tarifas e os juros ao utilizar o cheque especial, seja por que não pensou nisso na hora (20%) ou porque precisava muito do recurso e acabou contratando independentemente dos custos (19%). Resultado: a maioria dos entrevistados (63%) afirma desconhecer as taxas e os juros cobrados pelo uso do limite, principalmente as classes C, D e E (72%). Em contrapartida, 48% disse ter avaliado os custos cobrados na hora de usar.
30% dos entrevistados já ficaram com nome sujo por não cobrir o limite do cheque especial
A inadimplência dos que recorrem ao limite do cheque especial e não conseguem cobri-lo levou um terço dos entrevistados (30%) a ter seu nome sujo. Dentre esses, 15% já regularizaram a situação e 14% permanecem negativados. De acordo com os especialistas do SPC Brasil, as mudanças nas regras do cheque especial que entraram em vigor ontem (1/7) prometem melhorar esse quadro — as instituições financeiras passarão a entrar em contato com os clientes que usarem mais de 15% do limite da conta por 30 dias consecutivos. Pela nova regra, os bancos deverão oferecer como alternativa um financiamento pessoal mais barato, com a possibilidade de parcelar a dívida.
“A mudança vai ajudar a evitar o efeito bola de neve, principalmente para quem realmente enfrentou alguma emergência em um determinado mês. Entretanto, para aqueles que costumam fazer uso recorrente do cheque especial, é preciso ter em mente que estará trocando uma dívida por outra mais longa. Assim, o cuidado com os limites do orçamento continua sendo essencial para manter o equilíbrio das contas e evitar a inadimplência”, explica a Marcela Kawauti.
O levantamento mostra ainda que antes de entrar no limite do banco, mais de um terço dos usuários de cheque especial (36%) até tentou outras alternativas de crédito, mas não conseguiu. Já 53% sequer cogitaram essa possibilidade.
Metodologia
Foram entrevistados 910 consumidores no mês de março, nas 27 capitais brasileiras, acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para uma confiança de 95%. Baixe a íntegra da pesquisa em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas

quinta-feira, 1 de junho de 2017

PIB do 1º trimestre mostra que economia começa a melhorar, diz Delfim Netto

Imagem: Divulgação - Karime Xavier/Folha Press
O economista Delfim Netto avalia que os dados do Produto Interno Bruto (PIB), divulgados nesta quinta-feira, 1, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que a economia brasileira está começando a melhorar e pode ter crescimento moderado em 2017. A previsão de Delfim é que a expansão fique entre 0,2% e 0,4%. Já a taxa básica de juros, a Selic, deve seguir em queda e ficar próxima a 8%, na estimativa de Delfim, que participou hoje de seminário sobre agronegócio promovido pela B3. 

Delfim ressaltou que o Brasil passa por um momento de "absoluta incerteza" política, por conta da indefinição sobre o futuro do presidente Michel Temer. "A incerteza mata o espírito animal", disse ele, ressaltando que a turbulência pode afetar a atividade e as reformas estruturais no Congresso.

O ex-ministro defendeu a permanência de Temer no cargo e se posicionou contra a proposta de eleições diretas neste momento. "A eleição direta é absolutamente impossível. A Constituição define claramente a eleição indireta", disse ele. 

Uma das possíveis soluções para a crise política, disse Delfim, seria o Supremo Tribunal Federal (STF) transferir o início do processo contra Temer para 1º de janeiro de 2019, ou seja, deixando o presidente terminar seu mandato. Para ele, não é uma eleição direta que vai resolver o problema agora. "Não cai nada do céu. Deus se cansou do Brasil", disse Delfim, arrancando risadas da plateia. 

A crise política ameaça acabar com todas as conquistas até agora de Temer, ressaltou Delfim. Apesar disso, o País vai saber superar esta situação. "A crise não é o fim do Brasil."

No caso das reformas, o economista acredita que a reforma trabalhista deve ser aprovada. Para a Previdência, ele prevê que pelo menos a criação de uma idade mínima para a aposentadoria deve passar.

Em sua palestra na B3, Delfim Netto também defendeu a Operação Lava Jato. A investigação contra corrupção é um ponto de inflexão no Brasil. "Pode ter trazido alguns problemas de curto prazo, mas é o Brasil começando a se organizar." A operação policial põe fim à "relação incestuosa entre governo e setor privado."

A situação fiscal do Brasil ainda está muito deteriorada, comentou o ex-ministro. Delfim mencionou que o déficit nominal, que inclui o pagamento de juros, está na casa dos 9%. O déficit primário está em 2,2% e a relação entre a dívida bruta e o PIB em 74%.

Da Agência Estado

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Quase 50% dos brasileiros que possuem cheque nunca usam pré-datado, diz SPC Brasil

Imagem: Divulgação/Reprodução Internet
Um velho conhecido dos brasileiros, o cheque pré-datado encontra-se em desuso em todo o país, principalmente nas capitais. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), onde quase metade dos consumidores que possuem cheque (47,5%) nunca utilizam essa forma de pagamento na modalidade pré-datada. Esse percentual aumenta ainda mais entre os residentes das capitais (57,6%) enquanto diminui na comparação com os moradores do interior (38,3%).

Os principais motivos para a baixa utilização do uso do cheque pré-datado, segundo a avaliação, são a preferência pelo cartão de crédito na hora de parcelar devido à maior segurança (35,8%), a falta de praticidade (24,8%) e a preferência pelo pagamento à vista (19,5%).

Já entre os brasileiros que usam o cheque pré-datado, para quatro em cada dez (38,6%) ter um prazo maior para o pagamento é a principal justificativa, seguida de poder fazer compra mesmo quando não tem dinheiro (16,6%) e poder parcelar as compras (12%). Roupas e eletrodomésticos são os principais produtos comprados com cheques, mencionados por 22,9% e 19,1% respectivamente, seguidos por produtos alimentícios (17,9%) e eletroeletrônicos (15,2%).

Controle no papel
Resistindo às formas de controle de gastos mais modernas, como aplicativos no celular, os consumidores que utilizam cheque pré-datado têm como principal mecanismo a anotação em cadernos e agendas, feito por 37,0% dos entrevistados pelo SPC Brasil e pela CNDL. Um terço afirma que anota o valor pago no próprio canhoto e apenas 18,1% fazem os registros em alguma planilha no computador.

José Vignoli, educador financeiro do SPC Brasil, diz ainda que o uso do cheque como forma de pagamento não seja muito usual, ele deve entrar na lista de prioridades de controle de gastos, já que é uma modalidade que permite o parcelamento de compras. 

“O fato de o consumidor poder dividir o valor de algum produto em várias vezes já implica em um maior controle dos gastos para que ele não perca o controle do total de parcelas que tem acumuladas e desorganize suas finanças pessoais, iniciando uma bola de neve de dívidas”, explica. 

"Cada gasto deve ser incluído no planejamento financeiro pessoal e tanto o valor total da compra como o valor individual de cada parcela deve ser analisado previamente, além da taxa de juros que pode estar embutida no valor final, para só então definir se a compra de fato cabe no bolso”, completa.

Metodologia
A pesquisa traça o perfil de 674 consumidores de todas as regiões brasileiras, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos e pertencentes às todas as classes sociais. A margem de erro é de 3,8 pontos percentuais e a margem de confiança, de 95%.

Da Assessoria

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Empreendedor serial enumera diferenças entre franquia e negócio próprio

Por Elis Martins 
Écio Costa, empreendedor serial, durante sua palestra
(foto: Eduardo Siqueira)
O segundo palestrante do evento do Movimento Empreenda no Recife, na noite de terça-feira (2/9), no auditório do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, foi Écio Costa, economista, consultor empresarial e empreendedor serial. Costa acumula o negócio próprio com a experiência em franquias, com duas unidades do Rei do Mate. Ele também é franqueador da Mais Sorriso e sócio da locadora de veículos CTC Locações, além de professor de economia na pós-graduação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), entre outras atividades. De segunda à sexta-feira, ele ainda traduz a complexidade da economia em boletins na rádio JC News, do grupo Jornal do Commercio.

Segundo ele, o empreendedorismo é desvendado em quatro passos: Identificar a oportunidade, desenvolver um plano de negócios, captar recursos e parceiros, criar metodologia de trabalho. “É um mito afirmar que um empreendedor trabalha sozinho. No meu caso, nunca estou sozinho. Sempre tenho parceiros para diversos negócios, para cada empreendimento e vamos caminhando com bastante planejamento”, diz.

Ele disse que várias vezes recorreu ao “banco sogro”, que o ajudou a apostar nos negócios em que acreditava. “Empreender é assumir riscos altíssimos. Essa é a justificativa de algumas pessoas que não querem sair do seu lugar, da comodidade, para empreender em um negócio”, afirma.

Negócio próprio x franquias: qual é a melhor forma de empreender?
Uma franquia tem muitos benefícios: o índice de mortalidade é mais baixo, mas o grau de liberdade é bem menor que o negócio próprio. O ganho de marca, no entanto, é muito forte, assim como ganho de escala. O objetivo é fazer sua unidade dar certo: vender, atender bem, gerar lucro.

Já no negócio próprio o empreendedor é tudo. Desenvolve o marketing, o financeiro, corre atrás dos clientes. O empreendedor deve ter muito planejamento para não fracassar. Mas há pessoas inquietas, segundo ele, que querem desenvolver seu próprio produto. Nesse caso, cabe ao empreendedor saber o que é mais apropriado para o seu perfil.foi à frente, e mais recentemente, a coluna na Rádio JC News.

Fonte: Movimento Empreendedor 

terça-feira, 6 de maio de 2014

No Brasil, copa pouco ajudará na economia, diz consultoria

A Capital Economics explica que os benefícios da Copa se dão por dois canais


Copa do Mundo 2014. Foto: MMI Informática

A Copa do Mundo deve ter um impacto positivo muito pequeno na economia do Brasil - se é que o efeito líquido será mesmo benéfico - segundo uma avaliação da britânica Capital Economics. Na análise da consultoria, a competição não ajudará o País a resolver os problemas estruturais que prejudicam o crescimento no longo prazo.

A Capital Economics explica que os benefícios da Copa se dão por dois canais. O primeiro deles é o aumento nos investimentos do governo e o segundo são os gastos dos consumidores, em especial dos turistas. A consultoria lembra que o orçamento inicial do torneio era de quase R$ 23 bilhões, sendo um terço para construir os estádios e dois terços para melhorar a infraestrutura, sobretudo de transportes. 

Esse volume representa aproximadamente 1% do PIB anual brasileiro, mas foi diluído ao longo dos anos. Em termos relativos, o orçamento é maior do que o feito na Copa de 2010, na África do Sul (0,8% do PIB local) e do que o realizado no Mundial de 2006, na Alemanha (0,3% do PIB). Entretanto, o próprio governo brasileiro estima que os investimentos na verdade ficaram em torno de dois terços do total previsto inicialmente. "O Brasil tem um histórico péssimo na implementação de programas públicos de investimento", diz a Capital Economics.

TURISTAS - Em relação aos gastos dos turistas, a consultoria aponta que o governo espera que a Copa atraia quase 600 mil visitantes para as cidades-sede. Com uma estimativa arbitrária de que cada turista passe dez dias e gaste cerca de US$ 500 por dia, isso significaria um total de US$ 3 bilhões. "Pode parecer impressionante, mas é um volume pequeno em uma economia de US$ 2 trilhões. Os gastos adicionais dos turistas equivaleriam a apenas 0,1% ou 0,2% do PIB", explica o relatório.

A consultoria aponta que nas duas edições anteriores da Copa do Mundo os impactos nas economias locais foram questionáveis. O campeonato de 2006 realmente coincidiu com uma aceleração na economia alemã, mas a África do Sul desacelerou em 2010, durante o torneio, e não houve um impulso de longo prazo para o país, como muitos esperavam.

Apesar do ceticismo em relação à Copa, o economista-chefe de mercados emergentes da Capital Economics, Neil Shearing, diz que aposta em uma vitória do Brasil na disputa. "Nas seis Copas realizadas na América Latina um time do continente foi campeão", lembra.

Fonte: Agência Estado

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