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sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Pretos ou pardos têm rendimentos menores do que brancos em Pernambuco

No ano passado, 16,1% das pessoas estavam desocupadas,
sendo 13,1% brancas e 17,5%, pretas ou pardas.
(Foto: Marcos Santos/USP Imagens)
A falta de oportunidades leva a uma desigualdade social em Pernambuco. Pretos e pardos despontam com menos oportunidades de formação escolar e, consequentemente, o resultado acaba reverberando nas oportunidades profissionais, de rendimento e condições de moradia. No mercado de trabalho do estado, desemprego e a subutilização atingem mais a população preta ou parda. No ano passado, 16,1% das pessoas estavam desocupadas, sendo 13,1% brancas e 17,5%, pretas ou pardas. Além disso, 32,2% da força de trabalho do estado estava subutilizada, sendo que 29,2% se autodeclararam brancos e 34,2%, pretos ou pardos. Os dados são do estudo Desigualdades sociais por cor ou raça no Brasil, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para Fernanda Estelita, gerente de Planejamento e Gestão do IBGE em Pernambuco, todo o círculo é sintomático por conta da questão de oportunidade de formação. "As oportunidades vêm através da educação e ainda vemos que elas são menores para os pretos e pardos, o que acaba reverberando no mercado de trabalho, nos rendimentos e na moradia. Em Pernambuco, 58,9% dos alunos do nono ano, que estão na faixa dos 14 anos, estão em escolas situadas em áreas de risco. Entre os brancos, são 50,7% e sobe para 62,6% entre pretos e pardos. Se começa com dificuldade de acesso à escola, isso influencia nas condições de oportunidades", explica.

Além das oportunidades de empregos, as desigualdades sociais também refletem nos rendimentos em Pernambuco. As pessoas ocupadas com idade de 14 ou mais anos tiveram rendimento médio real habitual do trabalho principal de R$ 1.529. Desse valor, os brancos receberam R$ 1.865 e os pretos os pardos R$ 1.356, em média. O valor médio na ocupação formal foi de R$ 2.165, sendo R$ 2.559 para brancos e R$ 1.936 para pretos ou pardos. Já a média de rendimentos para ocupações informais foi de R$ 909, sendo R$ 1.081 para brancos e R$ 831 para negros.

Na distinção por sexo, em Pernambuco, os homens brancos ganharam R$ 1.096, contra R$ 744 dos homens pretos ou pardos. Já as mulheres brancas receberam R$ 1.116, enquanto as negras e pardas tiveram rendimento, em média, de R$ 727. Na proporção, os homens pardos ganharam 67,8% dos homens brancos. Já as mulheres brancas receberam um pouco mais do que os homens brancos, a uma razão de 108,8%. Já as mulheres pretas ou pardas tiveram rendimento de 66,3% dos homens brancos.

Os rendimentos mais baixos para pretos e pardos também acabam refletindo nas condições de moradia. No Recife, 22,8% da população mora nos aglomerados subnormais, ou seja, em assentamentos urbanos de ocupação irregular conhecidos como favelas, invasões, comunidades, palafitas e similares. Desse percentual, 27,9% dos pretos e pardos vivem nesses locais, contra 16% de brancos. "Se não tem acesso a um trabalho digno, não consegue morar em um local digno. E, no contexto geral, se não frear essa disparidade, a distância vai aumentar", conclui Fernanda Estelita.

Do Diario de PE

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Pernambucanos mais ricos ganham até 1.500% a mais que os mais pobres

Redução da desigualdade econômica é caminho para progresso.Foto: Rafael Furtado / Folha de Pernambuco
No Estado, 40% das pessoas ocupadas mais pobres vivem com um rendimento de apenas R$ 18 por dia

Apesar dos esforços para mitigar a desigualdade social que existe em nosso país, este problema ainda aflige muitos brasileiros. Parte destes, vive com uma renda inferior a um salário mínimo por mês, como acontece em Pernambuco (R$ 538). No Estado, 40% das pessoas ocupadas mais pobres vivem com um rendimento de apenas R$ 18 por dia, enquanto que os 10% dos pernambucanos mais ricos vivem com uma renda diária de R$ 210 - cerca de 1.066% a mais.

No Recife, a desigualdade é ainda mais gritante. A diferença chega a quase 1.500% na comparação da renda mensal entre os 40% mais pobres (R$ 730) e os 10% mais ricos (R$ 11.483). Vale ressaltar que esses índices são referentes à população que trabalha. Os dados são da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2019 do IBGE.

Por outro lado, quando analisado o rendimento domiciliar per capita médio de 40% dos pernambucanos mais pobres, em 2018, o valor era de R$ 221. Já os 10% mais ricos ganhavam naquele ano, em média, R$ 3.583 - que representa um rendimento 1.500% superior aos mais pobres. A pesquisa ainda mostra a porcentagem de pernambucanos que vivem abaixo da linha da extrema pobreza, em 2018 (11,4%). A linha considera o valor que o Banco Mundial utiliza como parâmetro (US$ 1,9), que em Pernambuco seria o equivalente a R$ 148.

Nesse caso não é feito uma conversão exata. É que existe uma tabela que faz uma paridade ao valor do Banco Mundial. Quando observado a série histórica entre 2012 e 2018, somente em 2014 foi quando houve o registro do menor percentual de pessoas na linha da pobreza (8,6%).

Segundo o economista da Fecomércio-PE, Rafael Ramos, a situação de quem vive abaixo da linha da pobreza traz efeitos negativos à economia. “A pobreza elevada faz com que as pessoas sejam menos produtivas, por não haver tempo para se qualificar. Os efeitos são uma economia que demora ainda mais para se recuperar”, destaca Ramos que ainda explica que os Estados com menor desigualdade são os que se recuperam mais fácil de uma crise econômica.

Entre 2012 e 2014 a média do rendimento domiciliar per capita médio das pessoas estava em crescimento contínuo partindo de R$ 888 e chegando a R$ 1.022 em 2014. No entanto, a partir de 2015, a média vem caindo ano após ano e chegou a R$ 855 em 2018. Para Ramos, a crise econômica contribuiu para o aumento da desigualdade. “Uma coisa puxa a outra. O desemprego elevado gera índices maiores de desigualdade, assim como a desigualdade puxa o desemprego”, explica. O economista ainda ressalta que a desigualdade dificulta o bem estar social e as chances de emprego. “Com o acesso à renda mais limitado, as pessoas se lançam na informalidade e perdem direitos e um salário melhor do que na formalidade”, detalha.

Em Pernambuco, a população total é de 9,4 milhões de habitantes. No Estado, a força de trabalho chega em números absolutos, a 4,62 milhões, enquanto que a taxa total de desocupação das pessoas de 14 anos ou mais de idade, em 2018 era de 16,1%, quase o dobro de 2013, quando o índice registrava um percentual de 8,7%. Em 2018, a taxa de Pernambuco ficou acima da média nordestina, que foi de 14,5%, e da média brasileira, de 12%. “É preciso atrair políticas públicas para minimizar a desigualdade e o desemprego. Os mais pobres não têm acesso à cultura, lazer. Sem essas políticas sociais, a produção industrial, o comércio e a economia, de forma geral, são afetados”, acrescenta Ramos.

Da Folha de PE

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Pernambucanos terão acesso à tarifa branca para consumo controlado

Conta de energiaFoto: Flávio Japa/Arquivo Folha
Tabela de energia eleva valor da conta nos horários de pico. No entanto, é possível uma redução fora desse período

Está em vigor a partir deste mês a tarifa branca para quem consome mais de 250 quilowatt-hora por mês (KWh/mês), o que representa cerca de 15,9 milhões de unidades consumidoras. Aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a tarifa branca sinaliza aos consumidores a variação do valor de energia de acordo com o dia e o horário de consumo. 

A opção é oferecida para as unidades consumidoras que são atendidas em baixa tensão, a exemplo de residências e pequenos comércios. Não será aplicada a consumidores residenciais classificados como baixa renda, beneficiários de descontos previstos em Lei e à iluminação pública.

A adesão à modalidade pode render uma redução na conta de energia do usuário, caso ele saiba administrar a utilização da energia nos horários em que a taxa será mais em conta. De acordo com a Aneel, “se o consumidor adotar hábitos que priorizem o uso da energia nos períodos de menor demanda (manhã, início da tarde e madrugada, por exemplo), a opção pela tarifa branca oferece a oportunidade de reduzir o valor pago pela energia consumida”.

A modalidade vai ser divida em três valores: ponta (maior valor), intermediário (valor intermediário) e fora de ponta (valor mais baixo). Elas são definidas por cada distribuidora, no caso de Pernambuco será através da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe). 

“É muito importante que o consumidor, antes de optar pela tarifa branca, conheça seu perfil de consumo. Quanto mais o consumidor deslocar seu consumo para o período fora de ponta, maiores são os benefícios desta modalidade. Todavia, a tarifa branca não é recomendada se o consumo for maior nos períodos de ponta e intermediário e não houver possibilidade de transferência do uso dessa energia elétrica para o período fora de ponta. Nessas situações, o valor da fatura pode subir”, alertou a Aneel.

Em Pernambuco, no horário do dia de maior pico, entre 17h30 e 20h30, a energia se tornará 92% mais cara, assim como no horário intermediário, das 16h30 às 17h30 e das 20h30 às 21h30, também haverá aumento de 25%. Por outro lado, o horário fora do pico, das 21h30 às 16h30 do dia seguinte, vai representar uma diminuição na conta de 16,5%. 

Para os usuários aderirem à modalidade, é preciso se dirigir a uma das unidades de atendimento da Celpe para o preenchimento de um formulário. Depois, a companhia terá até 30 dias para fazer a substituição do medidor gratuitamente. Se depois de optar pela tarifa branca, o consumidor não enxergar vantagem, poderá solicitar a volta para o sistema de tarifa convencional. 

A distribuidora terá 30 dias após o pedido para retornar o cliente ao sistema anterior. Caso queira participar novamente da modalidade branca, haverá um período de carência de 180 dias. Para ter certeza do seu perfil, o consumidor deve comparar suas contas com a aplicação das duas tarifas.

Em janeiro do próximo ano, a tarifa branca será oferecida para todas as unidades consumidoras. Em janeiro do ano passado, ela começou a valer para consumo mensal superior a 500 kW/h.

Bandeira
Pela tarifa convencional, os consumidores estão pagando a conta de energia através da bandeira verde neste mês de janeiro. A bandeira não representa custo adicional para os consumidores. Segundo a Aneel, a estação chuvosa está propiciando elevação da produção de energia pelas usinas hidrelétricas e do nível dos reservatórios.

Da Folha de PE

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