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terça-feira, 30 de abril de 2019

Em Pernambuco, mais de 150 voos cancelados pela Avianca deixam consumidores desamparados

A operação deve continuar no aeroporto até que
a situação seja normalizada.
Foto: Divulgação
Desde a última sexta-feira (26), o aeroporto tem operação de fiscalização intensificada para reduzir para os passageiros

A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos e o Procon/PE continuam, nesta segunda-feira (29), com a operação que busca minimizar os impactos provocados pelos cancelamentos dos voos da Avianca no Recife. Desde a última sexta-feira (26), a fiscalização no Aeroporto Internacional Guararapes está intensificada para garantir que os direitos do consumidores sejam respeitados. 

A Avianca passa por um processo de recuperação judicial e só nos aeroportos do Recife e de Petrolina, em Pernambuco, já foram mais de 150 voos cancelados, totalizando mil cancelamentos em todo o país. Recentemente, a empresa diminuiu a frota de aeronaves de 25 para 7, de forma que passou a atuar apenas em quatro aeroportos no Brasil: Congonhas, em São Paulo; Santos Dumont, no Rio de Janeiro; Brasília, no Distrito Federal; e Salvador, na Bahia. Por esse motivo, muitos passageiros foram prejudicados, como os que estão em Pernambuco. 

De acordo com Pedro Eurico, secretário de Justiça e Direitos Humanos, a prioridade da operação é tentar embarcar o máximo de passageiros. “A gente vai continuar buscando de todo jeito fazer com que essas pessoas embarquem. Neste fim de semana, muita gente conseguiu embarcar e hoje nós estamos aqui desde cedo fazendo esse trabalho.” 

Se o embarque não for facilitado pela empresa, o secretário informa que é responsabilidade da Companhia Aérea garantir alimentação e hospedagem. “Se passar de quatro horas de espera, o passageiro tem direito à alimentação e a hotel, mas a companhia não está fazendo mais isso”. Nesse caso, é preciso contactar o Juizado Cível, no próprio aeroporto. “O consumidor tem que procurar o Juizado e ingressar imediatamente com ação de danos morais e também exigir indenização pelo que perdeu”. 

Karine Ferreira foi um dos muitos consumidores que teve o voo cancelado sem aviso prévio. Sentindo-se lesada, a empresária está preocupada e sem perspectivas de retorno para Feira de Santana, na Bahia, onde mora. O voo estava marcado para às 11h desta segunda-feira (29) e não havia sido apresentada, esta manhã, nenhuma alternativa de embarque para ela. “Estou me sentindo impotente sem saber como vou voltar pra casa. A gente compra uma passagem de avião pensando no conforto, no bem-estar e a gente não tem nada disso garantido. Uma viagem que era ser pra descanso acabou sendo um transtorno”. 

A gerente de Fiscalização do Procon em Pernambuco, Danielle Sena, informou que a operação não tem previsão de deixar o aeroporto e deve continuar de forma intensa no local até que a situação seja normalizada. 

Da Folha de PE

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Prefeitura de Surubim decreta estado de emergência e cria Comitê de Gerenciamento da Crise

Imagem: ASCOM Surubim/Reprodução
A Prefeitura de Surubim decreta estado de emergência e informa que, em razão do desabastecimento de bens, produtos e gêneros de primeira necessidade destinados à população surubinense, foi criado o Comitê de Gerenciamento de Crise, o qual tomará medidas em relação à crise do combustível, pela qual passa todo país nos últimos dias. As aulas da Rede Municipal de Ensino estão previamente suspensas pela impossibilidade de abastecimento do transporte escolar. A coleta de lixo na zona rural também está temporariamente suspensa.

Os carros que pertencem à Prefeitura estão parados. Apenas algumas viaturas de urgência da secretaria de Saúde serão mantidos em circulação, como os que atuam nas emergências, as ambulâncias, serviço de hemodiálise e o Samu, até quando houver combustível. A Prefeitura esclarece ainda que, a partir desta segunda-feira (28), os quadros de funcionários das unidades de saúde podem ser prejudicados com a falta de colaboradores que não conseguem se deslocar por falta de transporte.

O Governo Municipal lamenta o momento de crise pelo qual estamos passando, e torce para que a situação volte ao normal no nosso país. Agradecemos, mais uma vez, a compreensão.

Da ASCOM SURUBIM

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Segurança Pública | Série de assaltos assusta comerciantes e moradores de Surubim

Imagem: Divulgação/Reprodução
Parece história repetida! Mais duas lojas foram alvos de assalto no centro comercial do município de Surubim, Agreste Setentrional. Segundo informações da Polícia Militar (PM), por volta das 14h desta segunda-feira (5), dois homens portando arma de fogo invadiram e assaltaram a Milena Móveis e Eletros, localizada na Avenida Agamenon Magalhães. O gerente do estabelecimento, Alexsandro Manoel Gonçalves, 30 anos, disse que os suspeitos chegaram a efetuar dois disparos dentro da loja, mas ninguém ficou ferido. Os assaltantes roubaram 8 aparelhos celulares e fugiram em uma moto de cor branca e placa OYT 4332. 

Minutos depois, possivelmente a mesma dupla assaltou a loja Credimoveis Novolar, que também fica na Avenida Agamenon Magalhães. Segundo a atendente Ivânia da Silva Lima Arcelino, os ladrões levaram 25 celulares e fugiram. Uma hora depois, dois homens armados invadiram uma casa na Rua José Barbosa Tavares, no Bairro São Sebastião e assaltaram uma mulher. De acordo com a polícia, eles trancaram a vítima dentro de um quarto e roubaram aproximadamente cinco mil reais. Veridijane Isabel dos Santos de Arruda, idade não informada, passou mal e foi socorrida para o hospital local, onde permaneceu em observação médica. 

Pelas características, o efetivo acredita que a onda de assaltos na cidade foi praticada pela mesma dupla. Durante rondas no final da noite, por volta das 22h, os policiais localizaram a moto utilizada para a fuga no primeiro assalto. O veículo de placa OYT 4332 estava abandonado às margens da Rodovia PE 90, nas proximidades da Faculdade Duarte Coelho. A moto foi apreendida e recolhida ao pátio da delegacia de Surubim, mas ninguém foi encontrado no local. Os crimes estão sendo investigados pela delegacia local.

Do Blog do Agreste

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Crise | Pernambuco foi do boom ao caos em cinco anos

Foto: Arquivo/Agência Brasil
A crise econômica, que já se revela a mais severa da história do País, não poupa ninguém, mas em poucos lugares ela se materializa de forma tão clara e dramática como em Pernambuco. Por qualquer aspecto que se olhe, o Estado foi do apogeu ao fundo do poço com uma veemência e uma velocidade poucas vezes vistas.

Por lá, as vendas do varejo acumulam retração de quase 10% em 12 meses, mais que o dobro da média nacional. Nesse início de ano, a produção industrial sofreu um tombo de 26% em relação ao ano anterior, puxado pelas indústrias de alimentos, em especial de açúcar e laticínios, que penam com a seca. O desemprego na capital, Recife, já atinge mais de 10% da população.

O cenário no longo prazo também se deteriorou. Projetos na área de petróleo e gás, que prometiam mudar o perfil da economia local, naufragaram em denúncias de corrupção na Operação Lava Jato. Grandes obras do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, que criariam um novo patamar para infraestrutura local, estão praticamente paralisadas à espera de recursos federais.

"A economia de Pernambuco está tendo uma crise mais aguda porque sofre em duas pontas: o setor mais tradicional, a indústria de alimentos, sofre com a seca, e setores novos, ligados a cadeia de petróleo, tiveram um baque", diz o professor João Policarpo Lima, da Universidade Federal de Pernambuco, que pesquisa o desenvolvimento local.

Para arrematar, o nocaute da economia pernambucana tem um ingrediente particular: epidemias de viroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, que aumentam os custos com a saúde pública e as perdas no setor privado. Entre 144 das maiores indústrias pernambucanas, que participaram de uma pesquisa sobre os impactos do mosquito, 114 registraram afastamentos neste ano por causa de doenças do Aedes e 42% relataram queda na produção pela ausência prolongada de funcionários.

O comerciante José Josafar de Spindola, 46 anos, resume a situação em seu Estado: "Pernambuco está desmantelada pela crise econômica, pela corrupção dos políticos, pela violência - o que você ganha aqui, o ladrão te toma alia na frente - e ainda veio essa tal de zika, o chikungunya. Minha mulher está com chikungunya e não consegue sair da cama."

Spindola tem um ponto no Moda Center Santa Cruz, o maior centro atacadista de confecções do Brasil, localizado em Santa Cruz do Capibaribe. O local reúne mais de 10 mil pontos comerciais, entre boxes e lojas, onde são comercializadas peças no atacado e no varejo. Nos períodos de pico, recebe mais de 150 mil clientes por semana. Até o início do ano, era uma espécie de ultimo bastião contra a crise que se alastrava pelo Estado. Era.

Resistência vencida

A cadeia de confecções e jeans de Pernambuco é um dos segmentos mais tradicionais e resistentes a crises. Encravada num cinturão formado pelos municípios de Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste, manteve-se em expansão até nos anos de dólar favorável a importações da China.

O trunfo: seus produtos, fabricados localmente, são muito baratos e abastecem pequenas lojas voltadas a consumidores de baixa renda no Norte, Nordeste e até do Sudeste. A maior parte da produção é vendida em grandes feiras populares, que reúnem desde os fabricantes até representantes de pequenas confecções que apenas finalizam partes das peças ou revendem os produtos acabados.

O melhor dia para as vendas é a segunda-feira, justamente quando a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo visitou as feiras. No Moda Center, o que mais se viam eram rodinhas de lojistas batendo papo. "Agora fica assim direto", diz a lojista Danielle Santos, mostrando os corredores vazios. "Hoje só vendi no ‘pingado’, para um ou outro, não veio nenhum lojista."

Danielle comercializa especialmente jeans. Negocia e fecha pessoalmente o pedido de cada item e manda para os ateliês de costuras montarem.

Ela sentiu o aumento no preço dos aviamentos que importa dos chineses, o impacto do custo do jeans, que precisa ser lavado com água de carro-pipa, pois a região, está sob racionamento, agora se preocupa com o sumiço dos clientes e vai se adequando. Hoje, tem quatro boxes no Moda Center e uma loja em Surubim, cidade próxima: "Tinha outra loja em Toritama, mas fechei; os pedidos não venciam."

"As pessoas não têm dinheiro", diz Maria Helena Lima. Dona de um ônibus, ela ganha a vida transportando sacoleiros de Manaus para feiras no Nordeste. "Viajava toda semana e o ônibus lotava de tal maneira que tinha gente que pagava para ir no corredor", diz ela. "Agora é uma viagem por mês e, nesse ônibus que estamos, apenas 12 dos 48 lugares têm passageiro."

Nos espaços vagos, ela empilha sacos de mercadoria que lojistas encomendam por telefone. "Cobro R$ 1,70 o quilo transportado, é o que salva", diz.

Na vizinha Caruaru, a situação parece mais preocupante ainda. No parque de exposição local ocorre a Sulanca, a feira mais tradicional do setor, que deu origem a todas as outras. A falta de gente é tamanha que os carregadores e comerciantes não esperam os clientes sentados, como diz o dito popular: esperam deitados.

"A queda dos clientes é grande e a gente não tem o que fazer", diz Nadja Lopes, espichada sobre a barraca que divide com a mãe, Maria de Lourdes Lopes. "Eu vendo aventais, uma coisa baratinha, mas até nisso as pessoas estão segurando", diz Maria de Lourdes.

Nem os artesãos, com seus tradicionais produtos em barro, palha e madeira, saem ilesos. "Estou tendo queda nas vendas até no Sudeste, onde tenho clientes em Embu das Artes e litoral paulista. Lá a queda foi feia, de uns 40% do ano passado para cá", diz o empresário e artesão Wesley Oliveira.

O que mais preocupa quem acompanha de perto a crise local é que os dados com o desempenho da economia não param de piorar. "O ano passado já não tinha sido bom, mas as quedas retratadas nos indicadores que estamos vendo agora são tão acentuadas que já acho que vamos ter saudades de 2015", diz o economista Tobias Silva, da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe).

Quando recebeu os dados do IBGE sobre Pernambuco neste mês de abril, Silva ficou tão espantado com a retração que chegou a perguntar ao funcionário responsável pela coleta dos dados se os números estavam corretos. "No mês anterior eu já tinha ficado assustado e os números continuaram caindo."

Uma das maiores preocupações de Silva é entender por que estão em franca queda dois setores básicos da economia local, alimentos e bebidas. No Estado onde o verão dura quase o ano interior e as praias atraem turistas do mundo, a produção de cerveja e chope vem caindo há 13 meses.

A indústria de alimentos, por sua vez, teve retração de 44% em fevereiro, o último dado disponível. "É uma queda muito forte, que não se explica apenas pelo açúcar e precisa ser investigada melhor para entendermos o que está acontecendo", diz Silva.

Boa parte da queda é puxada pelo setor de açúcar, mas Silva teme que esteja havendo uma retração generalizada no consumo da classe C em todo o Nordeste. "Pernambuco é uma espécie de ‘hub’ da produção de alimentos para a baixa renda, abastecendo vários Estados da região - se a produção está despencando aqui, pode ser que esteja sendo arrastada por uma retração regional mais forte do que imaginamos", diz Silva. É esperar para ver. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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