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segunda-feira, 8 de junho de 2020

Malha aérea começa a retomar demanda em Pernambuco

Aeroporto do Recife passa de 19 voos diários em maio
 para 32 em junho. (Foto: Paulo Paiva/Arquivo DP)
A malha aérea de Pernambuco começa a retomar o fôlego em junho, ainda que lenta e gradativamente, com o aumento de quase 50% no número de voos diários no Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes - Gilberto Freyre em relação a maio. Apesar de a variação percentual ser representativa, ainda assim os números absolutos são pequenos, quando comparados com o período que antecedia a pandemia do coronavírus. Neste mês, o terminal da capital pernambucana terá 32 voos diários, entre pousos e decolagens, contra 19 em maio, segundo levantamento da Anac. O estado ganha relevância como ponto de embarque e desembarque no Nordeste, já que a malha aérea terá mais que o dobro no número de voos em relação a capitais como Fortaleza, no Ceará, com 14, e Salvador, na Bahia, com 15. O mercado nacional, principalmente o regional, é o foco deste reinício, enquanto as perspectivas para o mercado internacional fiquem para o segundo semestre. 

A demanda para o início da retomada não se baseia no turismo de lazer, que será o último neste setor a voltar a crescer. Porém, Pernambuco é um polo regional e existe um fluxo natural de passageiros, seja de negócios como também os que atendem a fluxo migratório no país. "Ainda não é turismo de lazer, mas existe um fluxo de pessoas. Algumas que moram fora, que têm família aqui, empresas que têm negócios regionais. E isso vai continuar acontecendo. É, inclusive, uma demanda que está acumulada. Quando as pessoas perceberem que está melhorando a situação sanitária, vai começar a vir para cá. E essa demanda de passageiros é uma sinalização positiva de retomada para as companhias aéreas, sabendo que precisa que os números de contaminação da Covid-19 continue caindo para a demanda crescer", explica Rodrigo Novaes, secretário de Turismo de Pernambuco. 

A pandemia fez a demanda cair bruscamente. Entre janeiro e fevereiro, o aeroporto do Recife registrou fluxo de 2,2 milhões de passageiros, segundo dados da Infraero, registrados pelo setor de Estudos e Pesquisas da Empetur. Em abril, o terminal da capital pernambucana se destacou regionalmente com um volume muito inferior, de 77 mil pessoas, já que Salvador e Fortaleza registraram 33 mil e 21 mil pessoas, respectivamente. Um volume que se manteve ativo baseado no mercado regional. 

"O que temos de informação é que em julho e agosto as companhias aéreas vão operar com 15% da malha. De setembro a novembro, com 25%. E o otimismo está maior para dezembro, quando deve chegar a 70% das operações. A gente vê o mercado nacional, com exceção do regional, crescendo a partir de setembro. Mesmo no mercado brasileiro mais forte, como o Sul e Sudeste, ele vai estar retraído porque a malha retraiu também, estamos operando com 10% das três principais companhias. Já o internacional é muito difícil de ter uma situação ainda neste ano. Além da questão econômica, envolve também a segurança e as pessoas não vão sair de seus lugares com medo de uma segunda onda do coronavírus", afirma Eduardo Tiburcius, presidente do Porto de Galinhas Convention & Bureau. 

Para garantir a segurança dos passageiros e também passar confiança da proteção sanitária, neste momento de retomada da demanda de passageiros, o aeroporto do Recife tem preparado um protocolo de medidas para receber os turistas no estado. "Temos discutido com a Aena, e esse plano está sendo desenhado, não é algo simples e depende da Anvisa", conclui Rodrigo Novaes. Continue lendo, clique AQUI.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Estados do Nordeste tentam atender à demanda internacional

Objetivo é atender a uma demanda por carne de bode e leite de cabra,
que surgiu durante uma missão do Consórcio Nordeste na Europa,
em novembro de 2019. (Foto: Edilson Júnior / SDA)
Os estados do Nordeste estão em articulação para comercializar produtos agrícolas com mercados internacionais como Oriente Médio e China. Na região do histórico cultivo da cana-de-açúcar, a demanda por outros produtos está, cada vez mais, em ascendência. Uma demanda por carne de bode e leite de cabra, que surgiu durante uma missão do Consórcio Nordeste na Europa, em novembro de 2019, é exemplo disto. Trata-se, entretanto, de algo de uma dimensão maior do que qualquer estado poderia atender sozinho, por isso a junção de esforços entre eles. Todas as unidades federativas da região estão envolvidas no processo, tendo em vista a ampliação da produção, mas, atualmente, os principais produtores são Pernambuco, Paraíba, Bahia, Ceará e Piauí.

De acordo com o Secretário de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco, Dilson Peixoto, neste encontro onde foi revelado o interesse pelo produto local, não houve a apresentação de uma demanda específica, de quantidade de toneladas necessárias. “Foi percebido, entretanto, que a demanda global seria maior do que nossa capacidade produtiva atual”, revela. De acordo com a Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) 2017, do IBGE, o rebanho de caprinos no Brasil é de, aproximadamente, 9.592.079 cabeças, concentrando-se cerca de 93% deste rebanho no Nordeste, com 8.944.461 animais. Já o de ovinos é da ordem de 17.976.368 cabeças (64%, 11.544.939 animais, no Nordeste). 

Os secretários de agricultura comprometeram-se, então, a voltar-se para a cadeia produtiva em seus Estados, dimensionar o rebanho e identificar as necessidades dos produtores para ampliar a produção, bem como a criação de uma infraestrutura de abate e comercialização. Uma das alternativas é incentivar e dar suporte ao cooperativismo e associativismos entre os produtores. Dentre as metas estão a constituição de uma central de compras de insumos e informação de mercados, experiências de tecnologia e gestão; análise da possibilidade de criação de uma linha de financiamento para inovação de tecnologia de produção; elaboração de estudo de marketing estratégico para identificar produtos, mercados e novas oportunidades; implantação de programa de capacitação gerencial local com vista à Certificação Halal de qualidade e de origem para os produtos, exigida pelos países consumidores do Oriente Médio. A próxima reunião do Fórum de Secretário será realizada de 13 a 15 de abril, em Sergipe, quando deverá ser elaborado um cronograma de trabalho para certificação e atendimento das exigências do mercado externo.

No caso da China, a maior solicitação refere-se ao leite de cabra. No Brasil, o maior produtor do produto é a Paraíba, segundo o Censo Agropecuário 2017. Com uma produção de 5,627 milhões de litros de leite por ano, o estado destaca-se à frente da Bahia, que ocupa a segunda posição, e Minas Gerais, que vem em terceiro lugar. Mesmo assim, a produção é insuficiente em relação à demanda, de acordo com o secretário de Agricultura Familiar e Desenvolvimento do Semiárido da Paraíba, Luiz Couto. “Temos 17% a mais de rebanho do que o segundo colocado neste ranking. É impossível, entretanto, atender sozinho à demanda internacional, que também é de carneiros e ovelhas de corte, ainda vivos, para que possam ser abatidos no destino. Nosso estoque destina-se principalmente ao próprio estado e ao atendimento a empresas que produzem o sistema completo (fabricação de derivados de leite)”, afirma. 

Ele chama a atenção, ainda, para o fato de os dados referentes ao rebanho serem do ano de 2017, podendo não refletir corretamente a realidade atual. “Este quantitativo pode ser menor pois quando falta chuva no sertão, muitos animais morrem ou são eliminados para que as pessoas possam se alimentar”, destaca. Ele lembra que os governadores já estiveram na Alemanha, França e Itália e brevemente, em março, voltam a Europa para conversar com outros países a fim de estabelecer investimentos/recursos para aumentar o rebanho. “Os países que solicitam esta demanda pedem que ela tenha permanência. Não se tratará de um pedido único”, salienta.

QUADROS

Balança Comercial de Pernambuco (Fiepe) - Valores em dólares americanos

*Mais exportados: automóveis com motor de explosão (227.837.660), óleo combustível (190.481.877) e PET (173.909.799).

*Do setor de agropecuária, exportação de mangas frescas ou secas ocupa a quinta colocação (84.441.749) e uvas frescas, a sexta (66.046.024). Derivados de animais, de nenhum tipo, estão entre os 20 produtos mais exportados ou importados.

* Países de destino da exportação pernambucana (valores em dólares americanos):

Argentina - 299.674.307
Estados Unidos - 239.567.118 
Países Baixos (Holanda) - 141.720.525 - 
Cingapura -  83.517.211 
México - 82.558.420 


Rebanho Pernambuco:

Bovinos - 1.899.694 animais
Caprinos - 3.074.703 animais
Ovinos - 3.190.644 animais

Rebanho Paraíba (dados do IBGE – Censo de 2017):

Caprinos (cabeças): 545.994
Quantidade de caprinos vendidos: 191.006
Valor da venda de cabeças (total, em reais): 27.851.000,00
Quantidade de leite de cabra produzido por ano (litros): 5.627.000

Ovinos (cabeças): 506.190
Quantidade de ovinos vendidos nos estabelecimentos agropecuários: 89.882
Valor da venda de cabeças (total, em reais): 30.436.000,00

Do Diario de PE

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Preço da cebola cai 40% em Pernambuco

CebolaFoto: divulgação
Condições climáticas favoráveis intensificaram a produção de cebola no Brasil neste ano. Só em Cabrobó, maior produtor de Pernambuco, a colheita passou de 1,5 mil para 2,5 mil toneladas/mês, o que provocou um aumento de 10% na oferta da hortaliça no Centro de Abastecimento e Logística do Estado (Ceasa). A demanda, porém, não acompanhou o aumento de oferta. Por isso, o preço do produto caiu cerca de 40% só em agosto. A queda foi tão grande que o quilo da cebola já pode ser encontrado por R$ 1 em muitos locais do Recife, o que beneficia os consumidores, mas prejudica a sobrevivência dos produtores do Interior do Estado.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a oferta de cebola passou de 3,7 mil toneladas em agosto de 2017 para 4,2 mil toneladas em agosto deste ano só na Ceasa de Pernambuco. Por isso, a saca de 20 quilos da hortaliça, que era vendida por R$ 31 em 2017, passou a custar R$ 15. "O valor é o mais baixo dos últimos três anos", revelou o técnico da Conab, Eric Farias. E o Sindicato Rural de Cabrobó diz que, em outros locais do Estado, a saca ficou ainda mais barata, chegando a apenas R$ 10. Por isso, o preço de venda já não cobre mais os custos de produção.

"Enquanto os consumidores estão aproveitado, os produtores agrícolas têm sofrido prejuízos por conta do preço da cebola. Eles estão precisando vender a hortaliça por apenas 1/3 do custo da produção", confirmou o chefe do setor de informações do mercado agrícola da Ceasa, Marcos Barros. "A situação está péssima, porque não está compensando fazer a colheita. Muita coisa tem ficado no campo e pode vir a se perder", lamentou o engenheiro agrônomo e pesquisador do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Jonas Candeia.

E o sindicato rural reconhece que, em Cabrobó, já há cebolas estragando porque os produtores desistiram de fazer a colheita. "Com este preço, muita gente preferiu deixar estragar", admitiu o presidente sindical, Cícero Vieira, explicando que a maior parte da safra vem da agricultura familiar, que não tem recursos para arcar com esse custo. 

Outros estados
Vieira disse ainda que a situação chegou a esse ponto em Pernambuco - o terceiro maior produtor de cebola do Brasil - porque, além de ter crescido, a safra estadual coincidiu com a colheita dos maiores produtores do País (São Paulo e Minas Gerais), que também ampliaram a produção. "Houve uma coincidência de safra neste ano. Por isso, o Nordeste não está conseguindo mandar cebola para o Sudeste, como normalmente acontece", reconheceu o pesquisador do IPA. 

Ele ainda disse que, ao contrário dos produtores dos estados do Sudeste, que têm tentado escoar o aumento da produção para o mercado externo - tanto que as exportações para o Uruguai e a Argentina cresceram 383%, chegando a 12,8 mil toneladas, o maior volume dos últimos três anos, segundo a Conab -, Pernambuco ainda não consegue exportar cebola. "O pequeno produtor não sabe fazer isso. E, ao contrário do Sudeste, onde a colheita pode levar mais tempo por conta do clima mais frio, aqui a cebola acaba estragando por causa do calor", lamentou Cícero Vieira.

Da Folha de PE

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