Com operações realizadas por instituições públicas e privadas, agricultura familiar responde por mais da metade dos recursos concedidos no estado
Os dados são do Banco Central e reúnem operações realizadas por instituições públicas e privadas. Na comparação com o ciclo anterior, o volume destinado ao Pronaf aumentou 21%, passando de R$ 1,55 bilhão para R$ 1,88 bilhão. Com isso, o programa passou a representar 52% de todo o crédito rural concedido em Pernambuco no período.
Para Marcos Barbosa, Consultor de Negócios Agro da Central Sicredi Nordeste, a participação do Pronaf ajuda a dimensionar o peso dos pequenos produtores na movimentação do crédito rural pernambucano.
“Os números mostram que a agricultura familiar tem uma participação central no crédito rural de Pernambuco. O crescimento do Pronaf indica uma ampliação dos recursos destinados a produtores que dependem do financiamento para custeio, investimento e estruturação da atividade produtiva”, afirma o especialista.
Segundo ele, o crescimento também precisa ser observado em conjunto com as características da produção rural do Estado. “O crédito rural não representa apenas o recurso disponibilizado, mas a possibilidade de financiar etapas diferentes da produção. O comportamento das linhas mostra que há demanda tanto para a atividade produtiva quanto para aquisição de terra, armazenagem e outras estruturas”, diz Barbosa.
Fora do Pronaf, um dos maiores destaques de crescimento ocorreu no Inovagro (Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária), cujos recursos saltaram de R$ 21,79 milhões para R$ 62,05 milhões. O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) avançou 22%, atingindo R$ 382,33 milhões. Por sua vez, o Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF/FTRA), voltado ao acesso à terra e à estruturação de propriedades rurais, registrou R$ 77,03 milhões até julho de 2026.
Cooperativismo amplia crédito para o agro
No Sicredi, o crédito destinado ao agronegócio também apresenta crescimento. A cooperativa é a instituição financeira privada que mais concede crédito rural no país. Para o Plano Safra 2026/2027, o Sicredi prevê disponibilizar R$ 72,1 bilhões aos produtores rurais em cerca de 340 mil operações, 4,4% acima dos R$ 69 bilhões concedidos no ciclo anterior.
A carteira de crédito agro do sistema soma R$ 121 bilhões. A instituição também prevê R$ 13,3 bilhões para a agricultura familiar e R$ 14,6 bilhões para produtores de médio porte. Segundo os dados apresentados pelo Sicredi, pequenos e médios produtores concentram 88% das operações previstas.
Em Pernambuco, a carteira de crédito rural do Sicredi saltou de R$ 78,73 milhões em dezembro de 2024 para R$ 152,84 milhões em julho de 2026, registrando um crescimento de 94%. O apoio ao produtor inclui, além do crédito para custeio e investimento, produtos como consórcios para máquinas e equipamentos, seguros rurais, investimentos e soluções de meios de pagamento.
“O crédito rural tem um papel que vai além do financiamento da produção. Quando o recurso chega ao produtor, ele movimenta toda uma cadeia econômica, gera renda no campo e contribui para a permanência das famílias na atividade rural. Também é um instrumento importante para a produção de alimentos e para a segurança alimentar, porque fortalece quem está diretamente envolvido na produção. Apoiar essas pessoas é também contribuir para o desenvolvimento econômico do Estado e para a sustentabilidade das comunidades rurais”, afirma Marcos Barbosa.

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