
Fotos: Divulgação/Paulo Ricardo Costa
A cultura e as manifestações populares de Surubim chegam à tela de um dos mais tradicionais espaços do audiovisual pernambucano. O curta-metragem “11 de Setembro”, dirigido pelo cineasta e produtor cultural surubinense Paulo Ricardo da Costa, será exibido nesta quinta-feira (3 de setembro), no Cinema São Luiz, no Recife, durante uma mostra de curtas produzidos em Pernambuco.
Em entrevista ao programa Café com Notícias, da Rádio Surubim FM, Paulo Ricardo explicou que o título também funciona como uma provocação, já que a data costuma ser imediatamente associada aos atentados ocorridos nos Estados Unidos em 2001. No filme, porém, o significado é inteiramente ligado à memória e à identidade cultural surubinense.
“O 11 de setembro que mais me influenciou na minha carreira e na minha vida é o 11 de setembro do aniversário de Surubim. Desde criança eu assistia aos desfiles cívicos daqui e ficava encantado”, afirmou o cineasta que recorda ainda a participação de familiares nos desfiles e sua própria experiência tocando em banda durante a juventude.
A cidade e suas manifestações culturais
A ideia do curta surgiu durante uma experiência artística realizada em Surubim, em 2025, a partir de um projeto desenvolvido por Luana Andrade, que pesquisa práticas artísticas em cidades do interior. A iniciativa reuniu profissionais de diferentes linguagens, entre elas artes plásticas, fotografia, teatro e cinema.
Como as atividades coincidiram com as comemorações de 11 de Setembro, Paulo Ricardo decidiu levar as câmeras para as ruas. A proposta não era produzir um registro completo dos desfiles, mas captar a movimentação, as apresentações, as bandas e, principalmente, a relação entre os participantes e o público. “Eu quis captar a vibração dos desfiles, as pessoas nas ruas, as pessoas representando, as bandas tocando, a festa que acontece nesse dia e que transborda a cidade”, explicou.
Segundo o cineasta, os desfiles também representam um dos primeiros contatos de muitas pessoas com diferentes linguagens artísticas. “As escolas fazem os seus trabalhos artísticos. Tem dança, figurinos, interpretação, várias mídias artísticas envolvidas e tem o público. É uma grande festa nas ruas de Surubim, esse encontro do público com as primeiras ações artísticas da cidade”, destacou.
O curta foi realizado por uma equipe reduzida, em um formato que Paulo Ricardo define como “cinema de guerrilha”. Ele ficou responsável pela direção e também participou das filmagens ao lado de Luana Andrade e Lívio Fabrício. A edição foi realizada por Daniel Costa, em parceria com o diretor. Segundo Paulo, a produção contou com poucos recursos e apostou principalmente na criatividade da equipe.
Surubim na tela do Cinema São Luiz
Na mostra desta quinta-feira, “11 de Setembro” dividirá a programação com outras produções pernambucanas ligadas à cultura popular, incluindo trabalhos de Caruaru e do Sertão do Pajeú. Para Paulo Ricardo, levar uma produção realizada no interior ao Cinema São Luiz representa uma oportunidade de ampliar a circulação dessas narrativas.
“É um espaço importantíssimo para que a gente possa reverberar na capital, passar no Cinema São Luiz, que é tido como um templo do cinema pernambucano e importante não só em Pernambuco, mas no Brasil”, ressaltou. A programação começa às 18h30 e terá entrada gratuita.
O curta também deverá chegar ao público de Surubim. Paulo Ricardo informou que a produção será exibida entre setembro e outubro em quatro escolas públicas municipais, dentro de um projeto de formação de público contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). A previsão é que, posteriormente, seja realizada uma mostra gratuita no município reunindo “11 de Setembro” e outros documentários produzidos pelo cineasta.
Para Paulo Ricardo, aproximar o audiovisual das escolas também é uma maneira de mostrar aos jovens que o cinema pode ser um caminho profissional e, sobretudo, um instrumento para contar histórias do próprio território. “Uma das minhas preocupações é exatamente trazer para os jovens essa possibilidade de contar as nossas histórias, de fazer os nossos trabalhos e correr atrás. É importante a cultura e a educação trabalharem juntas e despertarem esses jovens para contar suas histórias”, concluiu.
Do Portal da Cidade Surubim






















