Com cerca de 16 milhões de microempreendedores individuais no Brasil, fraudes envolvendo boletos falsos e mensagens enganosas crescem e acendem alerta para quem está começando um negócio
Os golpes contra microempreendedores individuais (MEIs) têm se multiplicado à medida que cresce o número de empresas formalizadas no país. O Brasil reúne cerca de 16 milhões de MEIs, responsáveis por mais da metade das empresas ativas, cenário que também desperta o interesse de criminosos especializados em aplicar fraudes por meio de boletos falsos, cobranças inexistentes e links maliciosos.
Segundo levantamento da plataforma MaisMei, as reclamações sobre golpes envolvendo a categoria cresceram 400% em um ano, evidenciando o avanço desse tipo de crime.
Entre as fraudes mais comuns estão os boletos enviados por e-mail, WhatsApp e até pelos Correios com cobranças de supostas taxas de registro, regularização ou renovação do CNPJ. Também são frequentes mensagens informando pendências na Declaração Anual do MEI, multas inexistentes ou até ameaças de cancelamento da empresa.
O governo federal alerta que essas comunicações são falsas e reforça que as obrigações do MEI devem ser consultadas apenas pelos canais oficiais.
A estudante Laura Oliveira, de 22 anos, descobriu isso da pior forma. Prestes a abrir uma loja virtual de acessórios, ela recebeu um boleto que aparentava ser oficial poucos dias após formalizar o MEI. A cobrança informava que seria necessário pagar uma taxa para manter o CNPJ ativo.
Convencida de que se tratava de uma obrigação legal, realizou o pagamento e só depois percebeu que havia sido vítima de um golpe. Embora fictícia, a história retrata uma situação recorrente enfrentada por novos empreendedores.
"Como era a primeira vez que estava abrindo um negócio, achei que aquela cobrança fazia parte do processo. O boleto parecia verdadeiro e fiquei com medo de perder o CNPJ se não pagasse logo. Só depois descobri que era um golpe", relata Laura.
Segundo o especialista do Sebrae Pernambuco em Finanças e Contabilidade, Cleto Paixão, um dos golpes mais frequentes envolve justamente a emissão de guias falsas.
"Os principais golpes praticados contra o MEI são cobranças de boletos que parecem oficiais, mas são totalmente falsos. Em alguns casos, os valores são parecidos com os corretos, porém o dinheiro vai para contas de criminosos. Também existem mensagens dizendo que falta entregar alguma declaração ou que há multas para pagar, quando, na verdade, essas cobranças não existem", explicou.
Falsas ofertas
Além dos boletos fraudulentos, a Receita Federal também alerta para golpes praticados por meio de links enviados por e-mail, SMS e aplicativos de mensagens.
Os criminosos utilizam páginas falsas que imitam o ambiente oficial para induzir o empreendedor a informar CPF, CNPJ, senhas e dados bancários ou instalar programas maliciosos no celular e no computador
"Não é assim que funciona. A concessão de crédito segue critérios e procedimentos específicos. Quando alguém promete dinheiro fácil e pede para clicar em links ou informar dados pessoais, o empreendedor deve desconfiar", alerta Cleto Paixão.
O especialista reforça que órgãos públicos não enviam mensagens solicitando pagamentos ou pedindo que o cidadão clique em links para regularizar pendências.
A orientação é acessar diretamente os portais oficiais da Receita Federal e do Governo Federal digitando o endereço no navegador, em vez de utilizar links recebidos por mensagens.
Atenção aos sinais
Mensagens enviadas por WhatsApp, SMS ou e-mail cobrando pagamentos urgentes ou pedindo para clicar em links devem ser vistas com desconfiança.
"Órgãos federais não enviam cobranças por esses canais nem solicitam que o empreendedor clique em links para regularizar pendências. Sempre confirme qualquer informação nos canais oficiais antes de fazer um pagamento", orienta.
Além do prejuízo financeiro, os golpes podem resultar no roubo de dados pessoais, acesso a contas bancárias, redes sociais e até à conta Gov.br do empreendedor.
Como se proteger
A recomendação é nunca compartilhar CPF, CNPJ, senhas, códigos de autenticação ou dados bancários sem confirmar a identidade do solicitante.
Em caso de dúvidas, o empreendedor deve procurar atendimento no Sebrae ou em uma Sala do Empreendedor antes de efetuar qualquer pagamento.
"Na dúvida, procure orientação. Alguns minutos de conferência podem evitar um grande prejuízo financeiro e impedir que seus dados sejam utilizados por criminosos", reforça Cleto Paixão.
De acordo com o governo federal, o Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) deve ser emitido exclusivamente pelos canais oficiais, e qualquer cobrança diferente dessa deve ser verificada antes do pagamento.
A orientação é que os microempreendedores utilizem apenas plataformas oficiais para consultar obrigações fiscais e manter o CNPJ regular, reduzindo o risco de cair em fraudes.
Do Portal Folha de Pernambuco






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