Trabalhos sobre o Centro de acolhimento referência macrorregional na assistência integral a pessoas em situação de violência sexual e sobre o Protocolo de Assistência às Perdas Fetais foram apresentados no Encontro Nacional em celebração aos 20 anos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres, em Brasília_
Os trabalhos sobre o Centro de Acolhimento Referência Macrorregional na Assistência Integral a Pessoas em Situação de Violência Sexual e sobre o Protocolo de Assistência às Perdas Fetais do Hospital da Mulher do Agreste – em Caruaru – estão em evidência. As experiências exitosas foram apresentadas no Encontro Nacional em celebração aos 20 anos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), com programação na Fiocruz Brasília, no fim de março. Os dois trabalhos, que têm como fundamento a PNAISM e os princípios da humanização do Sistema Único de Saúde (SUS), foram apresentados pela coordenadora de Política para Mulheres de Pernambuco, Cleonúsia Leite de Vasconcelos.
A violência contra a mulher constitui um grave problema de saúde pública e demanda respostas estruturadas no âmbito do SUS, como contextualiza a diretora multiprofissional do HMA, Priscila Neri. “O HMA é referência para 53 municípios das IV e V GERES (Gerência Regional de Saúde), com o diferencial do Centro de Acolhimento Mulher de Barro (CAMB) ser o único atuando em situações de violência sexual a partir de 0 idade, o que possibilita uma abordagem ampliada do cuidado, garantindo proteção integral às pessoas vítimas de violência sexual”, destaca.
A coordenadora de Serviço Social do HMA, Edna Soares, acrescenta que o trabalho sobre o CAMB detalha as estratégias adotadas, a exemplo da implantação de fluxo assistencial padronizado com acolhimento imediato e classificação de risco ampliada; atendimento multiprofissional integrado (Serviço Social, Psicologia, Enfermagem e Medicina); garantia de ambiente reservado, sigiloso e abordagem de não revitimização; implementação de instrumental técnico para registro sistemático e monitoramento dos casos; prontuário VIP/protegido; fortalecimento da articulação intersetorial com CREAS, Conselho Tutelar, Delegacia Especializada e rede socioassistencial durante 6 meses após início do atendimento.
O serviço resultou na qualificação do processo de trabalho e na ampliação da resolutividade institucional. “Observou-se maior integração entre as dimensões clínica e psicossocial do cuidado, com fortalecimento da atuação multiprofissional e padronização dos registros técnicos. A estruturação do serviço também possibilitou acolhimento qualificado de crianças vítimas de violência sexual, inclusive na primeira infância, fortalecendo a proteção integral e a articulação com o sistema de garantia de direitos”, relata a coordenadora da Psicologia do HMA, Jannaina Galvão.
Já o trabalho “Implementação do Protocolo de Assistência às Perdas Fetais e Adequação da Ambiência no Hospital da Mulher do Agreste (Caruaru–PE)”, da enfermeira obstetra e pesquisadora Nycarla Bezerra (supervisora do Pré-parto, Parto e Pós-parto — PPP) do Hospital da Mulher do Agreste (HMA), em parceria com a Unidade de Saúde, representa uma iniciativa inovadora e de grande impacto para a assistência em saúde da mulher no estado. “O HMA se destaca por ser o primeiro hospital do Agreste pernambucano a implantar um Protocolo de Assistência às Perdas Fetais, um marco histórico para a humanização do cuidado e para a qualificação da assistência prestada às mulheres e famílias que vivenciam o luto perinatal”, destaca a a pesquisadora.
O protocolo surgiu a partir da pesquisa de mestrado de Nycarla Bezerra, pelo PPGENF UFPE (Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco) e atualmente segue em processo de ampliação e fortalecimento por meio do projeto de doutorado, com pesquisa no HMA, reafirmando o compromisso entre ciência, gestão e transformação da prática assistencial. “Mais do que uma inovação institucional, esta iniciativa fortalece a rede de cuidado às mulheres, promove dignidade no atendimento e contribui diretamente para a consolidação de políticas públicas voltadas à saúde integral da mulher, tornando-se referência para outros serviços do estado e do país”, enfatiza, ainda, Nycarla Bezerra.
Da ASCOM




















