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sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Brasileiro deve pagar a conta da escassez até 2025, dizem especialistas

A maior crise hídrica dos últimos 91 anos deve pesar no bolso do consumidor e no caixa das empresas ao menos até 2025, de acordo com especialistas do setor e consultorias da área de energia. A previsão é que a conta de luz fique, em média, cerca de 10% mais cara este ano, patamar semelhante ao projetado para 2022, apesar dos programas de redução voluntária no consumo de eletricidade de forma a evitar o risco de apagões no horário de maior consumo (pico).


Mas não é apenas a falta de chuvas a única responsável pela pressão nos preços, dizem os analistas. Além da geração de energia mais cara gerada pelas termelétricas, os avanços do dólar, do petróleo e dos próprios índices de inflação tendem a pressionar os reajustes anuais das distribuidoras a partir de 2022.


Clarice Ferraz, diretora do Instituto Ilumina, critica a gestão da crise pelo governo. Ela lembra que o problema começou no ano passado, quando a pandemia derrubou o consumo e gerou perdas para as distribuidoras avaliadas em R$ 16,1 bilhões. Esse volume será parcelado em 60 meses e será pago pelos consumidores.


— Depois, o problema se agravou quando a economia começou a se recuperar, com o maior consumo de energia e chuvas abaixo da média. Demoramos para ligar as termelétricas e gastamos a água dos reservatórios. Agora, a situação se agravou a tal ponto que nem as termelétricas podem trazer uma situação confortável. Vamos pagar pela energia a prazo, tanto a que consumimos como a que não consumimos — disse Clarice.


Já com o nível baixo dos reservatórios, o governo decidiu acionar o regime de bandeiras tarifárias a partir de maio. O valor dessa sobretaxa, que incide a cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos, aumentou 241% em quatro meses, patamar que vai se manter até abril de 2022, quando acaba o período de chuvas. Especialistas avaliam que o valor da bandeira ainda tem espaço para subir mais.


— Vamos terminar 2021 com déficit de R$ 5 bilhões na conta das bandeiras tarifárias e isso será transformado em aumento de tarifa no próximo ano. Somente para cobrir os custos específicos devemos levar mais dois anos. Quanto mais tempo se demora para mitigar a crise, mais ela se aprofunda e mais radicais deverão ser as medidas em caso de necessidade de racionamento — afirmou Clarice.


Segundo Christiano Vieira, secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, desde outubro do ano passado o governo passou a adotar medidas para evitar impacto ao consumidor, como importação de energia e acionamento de termelétricas:


— É importante a contribuição de toda a sociedade para o enfrentamento de uma situação excepcional.


Para Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e membro do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU), a fatura da crise é resultado da falta de visão de longo prazo do governo:


— Estive em Manaus e vi que uma família de classe média está pagando conta de luz de R$ 2 mil. Quem está pagando a conta da crise são as famílias de classe média e as de baixa renda. Elas pagam o pato pela falta de planejamento.


Segundo Ana Carolina Ferreira, gerente de regulação e tarifas da Thymos Energia, as pressões nos preços deverão continuar até 2025. Para esse ano, a expectativa da consultoria é de uma alta média de 10%, já incluído o custo das bandeiras tarifárias.


No IPCA, a energia elétrica residencial acumula alta de 10,61% no ano até agosto, maior que os 5,67% do índice geral. No acumulado de doze meses, a energia residencial subiu 21,08% , bem mais que os 9,68% do IPCA geral, diz o IBGE.


Para os próximos anos, ela destacou a pressão nos preços em razão do dólar e do próprio IPCA, índice oficial de inflação que serve de referência para o reajuste da maior parte dos contratos de distribuidoras. Ana avalia que, em ano de eleição, o governo pode adotar alguma medida para conter o aumento de tarifas e evitar que superem os 10%.


O próximo período de chuvas começa entre novembro e dezembro. O governo afirma trabalhar com projeções conservadoras. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) recomendou que as térmicas permaneçam acionadas, embora durante o período úmido a tendência seja deixar de fora as mais caras.


Ainda assim, Alexandre Americano, diretor-executivo da Mercurio Partners, prevê que os preços vão continuar pressionados ao menos até 2025:


— O preço maior vai continuar nos próximos cinco anos, que é o prazo da contratação de capacidade emergencial que ocorrerá esse ano, salvo se houver alguma intervenção regulatória com redução artificial dos preços de energia, o que apenas empurraria o problema mais para frente.


Lavinia Hollanda, diretora-executiva da Escopo Energia, lembrou que a alta do preço do petróleo pressiona diretamente o valor do diesel e do gás, usados como combustíveis nas termelétricas, que já respondem por cerca de 30% da geração elétrica:


— O preço vem subindo muito e isso aumenta os custos para as empresas, que repassam em um efeito cascata. Vamos ter um período de chuvas no fim do ano, mas há o risco de não ser suficiente. O problema é a quantidade de energia para atender ao consumo na hora da ponta (pico).


Marcelo Gama, da Daemon, destacou que para reduzir a dependência de hidrelétricas, responsáveis no último dia 17 por 43% da geração de energia, o governo tem criado subsídios, como descontos no valor das tarifas de transmissão:


— Os custos dos subsídios são repassados aos consumidores finais, que assumem inclusive parte do custo da ineficiência comercial das distribuidoras, como os gatos.


Recentemente, o governo publicou lei que prevê a inscrição automática de famílias de baixa renda como beneficiários da tarifa social. A iniciativa vai permitir que 12 milhões de clientes não paguem a sobretaxa da bandeira tarifária. Embora elogiada por especialistas, a medida vai onerar o restante do setor.


Por Agência O Globo / Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

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