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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Pandemia pode levar 100 milhões à extrema pobreza, adverte Banco Mundial

Foto: Geoffroy Van Der Hasselt / AFP
A pandemia de coronavírus pode ter levado até 100 milhões de pessoas para a extrema pobreza, advertiu nesta quinta-feira o presidente do Banco Mundial (BM), David Malpass, em entrevista à AFP.

A instituição para o desenvolvimento, com sede em Washington, havia estimado, antes, que 60 milhões de pessoas cairiam na extrema pobreza, mas o novo cálculo situa a deterioração entre 70 e 100 milhões, e "este número poderia aumentar" se a pandemia piorar ou se prolongar, o que é possível, disse Malpass. 

O presidente do BM afirmou que a piora se deve a uma combinação de perda de empregos durante a pandemia e problemas de abastecimento que dificultam o acesso aos alimentos. "Tudo isso contribui para que as pessoas voltem a cair na extrema pobreza, quanto mais tempo persistir a crise econômica."

O BM se comprometeu a destinar 160 bilhões de dólares em financiamento a 100 países até junho de 2021, em um esforço para lidar com a emergência, mas, ainda assim, a extrema pobreza, definida como ganhar menos de 1,9 dólar por dia, segue aumentando.

A situação torna "imperativo" que os credores reduzam o montante da dívida dos países pobres em risco, além do compromisso de suspender o pagamento da mesma, disse Malpass na entrevista à AFP.

Ainda assim, mais países serão obrigados a reestruturar suas dívidas. "As vulnerabilidades da dívida são altas e o imperativo de enxergar uma luz no fim do túnel para que novos investidores possam entrar é substancial", acrescentou Malpass. Para continuar lendo, clique AQUI!

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Bolsa Família reduziu 25% da taxa de extrema pobreza, aponta Ipea

O Programa Bolsa Família reduziu as taxas de extrema pobreza em um quarto (25%) e de pobreza em 15%. A conta é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que analisou a evolução das condições de vida dos mais pobres entre os anos de 2001 e 2017.

“Em 2017, as transferências do programa retiraram 3,4 milhões de pessoas da pobreza extrema e 3,2 milhões da pobreza”, descreve estudo publicado esta semana e disponível na internet. Os dados sobre a renda dos mais pobres foram obtidos nas Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicilios (Pnad/IBGE), que eram bianuais e a partir de 2016 passaram a ser contínuas.

Somados, os contingentes de pessoas que se beneficiaram com essa mobilidade de classe (6,5 milhões) equivalem à população do Maranhão (Censo de 2010). No total, o Bolsa Família transfere recursos a 14 milhões de famílias ou 45 milhões de pessoas, número semelhante a de toda população da Argentina.

Para Luiz Henrique Paiva, especialista em políticas públicas e um dos autores do estudo, o Bolsa Família “é um instrumento muito bom para reduzir a pobreza. Ele não é só não é mais efetivo porque ainda é modesto”, opina fazendo referência à média de R$ 188 que cada família recebe.

Liberalismo econômico
Paiva reconhece que o Bolsa Família é um programa inspirado nas correntes do liberalismo econômico. “O programa é na sua natureza um programa liberal. É focalizado nos mais pobres, transfere quantias modestas, custa pouco para o país (0,4% do Produto Interno Bruto, PIB, que é a soma de todas as riquezas produzidas no país). Não é de espantar que economistas liberais, como o ministro [da Economia] Paulo Guedes, gostem e conheçam as avaliações do programa”.

Segundo o especialista, o foco na população mais pobre aumenta a eficiência do programa. Outra vantagem é o custo. Ele estima que o programa este ano chegue a R$ 33 bilhões, com o pagamento anunciado da 13ª prestação aos segurados - assim como o 13º salário dos trabalhadores formais. O valor equivale a menos de 1% do Orçamento Geral da União em 2019 (R$ 3,38 trilhões), aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro do ano passado.

Além da redução da pobreza, o Bolsa Família teria contribuído para a diminuição de 10% da desigualdade, calculada pelo coeficiente de Gini, indicador que mede a distância entre a distribuição real e ideal da riqueza.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Ipea vê inflação em dobro para população de baixa renda

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Pressionada pelos aumentos nos preços dos alimentos e do reajuste dos aluguéis, o Indicador Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada) de Inflação por Faixa de Renda referente a dezembro do ano passado apontou inflação em dobro para classes de rendas mais baixas.

Divulgada hoje (15), pelo Instituto, o indicador mostra que as famílias de menor poder aquisitivo “foram as mais afetadas pela inflação de dezembro, embora a alta de preços tenha se intensificado em todas as classes”.

Segundo o levantamento, a inflação nos segmentos de renda mais baixa foi 0,21% ( com salário menor que R$ 900), mais que o dobro dos 0,9% verificados na variação de preços das classes mais ricas (maior que R$ 9 mil).

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, é calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A influência do aumento dos preços dos alimentos decorreu, sobretudo, do aumento dos preços de alimentos, principalmente produtos in natura como legumes, que chegaram a subir 9%; verduras (2,3%); frutas (3%); e carnes (2%). “Itens que pesam na cesta de consumo das classes mais baixas”, ressaltou o Ipea.

O Ipea avaliou que a alta de itens de vestuário, como roupas femininas (2,3%), e o reajuste de 0,5% nos preços dos aluguéis “também exerceram pressão maior sobre a inflação das camadas de renda mais baixa, anulando, inclusive, o alívio proporcionado pela deflação de 2% das tarifas de energia”.

Em contrapartida, O Ipea aponta a queda de 4,8% no preço da gasolina como “o principal fator de descompressão inflacionária nas faixas de renda mais alta, que também se beneficiaram, ainda que em menor proporção, da redução das tarifas de energia elétrica”.

A avaliação é que, em dezembro, a inflação das famílias mais ricas só não foi ainda menor devido aos aumentos das passagens aéreas (29,1%) e dos planos de saúde (0,8%).

No acumulado de 2018, a inflação cresceu em todos os segmentos de renda, resultado do aumento dos preços dos alimentos a partir do 2º semestre e, sobretudo, dos reajustes dos combustíveis e da energia elétrica entre junho e outubro.

Embora as famílias mais pobres tenham sofrido mais em dezembro, no acumulado de 12 meses a alta de preços neste segmento foi 3,5%, contra 3,9% nas faixas de renda mais alta.

Para a técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, Maria Andreia Parente Lameiras, em dezembro, embora o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda tenha registrado uma aceleração no ritmo de crescimento dos preços em todas as classes, esta foi bem mais intensa nos segmentos de renda mais baixa.

Por: Agência Brasil

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Um em cada quatro brasileiros vive com menos de R$ 406 por mês

Foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
A grave crise que se iniciou no governo Dilma e, até agora, ainda não foi totalmente superada, levou ao aumento da pobreza no país. Levantamento feito pela Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que um em cada quatro brasileiros está abaixo da linha da pobreza. Entre 2016 e 2017, o número de pessoas vivendo com rendimento familar, por pessoa, de até R$ 406 por mês, no Brasil, saltou de 52,8 milhões para 54,8 milhões. Houve aumento também no contingente que vive em extrema pobreza, com menos de R$ 7 por dia, que atingiu 15,2 milhões de pessoas.

As regiões Nordeste e Norte concentravam os maiores percentuais da população em situação de pobreza, 44,8% (25,5 milhões) e 43,1% (7,5 milhões), respectivamente. Nos três estados do Sul, 12,8% da população — quase 30 milhões — estavam nessa situação em 2017. O Sudeste tinha 15,1 milhões de pessoas (17,4%) vivendo com menos de R$ 406; e o Centro-Oeste, 2,6 milhões (16,9%).

O Maranhão apresentou a maior proporção de pobres do país. A pobreza atingia mais da metade da população, 54,1%, no ano passado. Em Alagoas, chegava perto: 48,9%. As capitais Porto Velho e Cuiabá foram as únicas onde o percentual de pessoas em situação de pobreza superava os índices estaduais. Em Porto Velho era de 27% ante 26,1% de Rondônia; e em Cuiabá, de 19,2% contra 17,1% de Mato Grosso.

Em 2017, segundo o Índice de Palma citado na pesquisa, o Distrito Federal foi a unidade da federação mais desigual, onde os 40% das pessoas com os menores rendimentos acumularam 8,4% da massa e os 10%  com os maiores rendimentos detinham 46,5%. A razão entre esses dois valores chegou a 5,57 no DF, e superou as outras 26 unidades da Federação.

Nascido em Brasília, o profissional de reciclagem, Ailton Souza Pereira, 51 anos, conta que em um bom momento, trabalhava com restauração de móveis. Com a crise, precisou mudar de atividade e, hoje, passa dificuldades. “É instável. A gente nunca sabe quanto vai ganhar. Tem meses que eu consigo tirar R$ 1 mil; em outros períodos, só tiro R$ 400”, contou.

Morador do Sol Nascente, ele explica que o lucro com o trabalho dá para comprar apenas o necessário para dentro de casa. “Moramos eu, minha esposa e dois filhos. Só eu trabalho aqui em casa. Então, não posso dizer que dá para viver bem, porque a gente consegue apenas sobreviver. Apesar de faltarem algumas coisas, arroz, feijão, água, luz e gás sempre dá para ter em casa. Mas carne e outras misturas, com frequência não têm”, acrescentou.

O analista de pesquisas do IBGE, Leonardo Athias, afirmou que a degradação do mercado de trabalho e o aumento da taxa de desocupação são fatores que contribuíram para a realidade de carência e privação. “O PIB cresceu, mas foi puxado pelo agronegócio. O corte de programas sociais, em 2017, também foi responsável por atingir ainda mais a população. Quem era pobre ficou ainda mais pobre. A linha de corte da pobreza também aumentou”.

Athias ressalta que políticas voltadas para o mercado de trabalho ou ainda a aceleração em programas de transferência de renda podem ajudar a solucionar a questão. “Para erradicar a pobreza, seria necessário investir R$ 10,2 bilhões por mês na economia, ou garantir R$ 187 a mais, por mês, a cada pessoa nessa situação. Aumentar a formalização do trabalho também auxiliará as pessoas a saírem dessa situação”, avalia.

Melhora no país
Para o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) Marcelo Neri, o cálculo de R$ 10,2 bilhões mensais para tirar o país da pobreza é muito alto, e não se encaixa na situação fiscal do país atualmente. “Assumir que as pessoas que recebem R$ 406 estão na linha da pobreza e querer solucionar a situação por meio de políticas sociais é suicídio econômico e só vai causar um desequilíbrio fiscal”, explica.

Ele defende a melhoria da condição do país e para que o mercado de trabalho seja mais inclusivo. Na opinião de Neri, é necessário reformular o cálculo que caracteriza a população pobre no país. “Acredito que, atualmente, a nossa linha da pobreza deveria ser caracterizada por pessoas que recebem por mês em torno de R$ 224. Dessa forma, o custo de programas sociais cairiam em um quarto. Como estamos hoje, não dá para abranger ações sociais para os que ganham R$ 406 por mês.”

O economista observa que se o Brasil tiver crescimento médio de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), a taxa de pobreza só voltará ao patamar de 2014, em 2030. “É importante que o país volte a crescer. Evitar que a pobreza piore se confunde com a agenda macroeconômica de ajuste fiscal e ganho de produtividade”, ressaltou.

Por: Correio Braziliense

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

LBV completa 68 anos de serviços permanentes em favor das populações em situação de vulnerabilidade

Foto: LBV/Divulgação

Para muitas pessoas o termo “Solidariedade” é considerado um sentimento ou um valor, que as mantêm unidas em torno de causas, de inciativas e de ideais que compartilham e em favor de alguém. Essa Solidariedade que move tantas pessoas é o pilar que tem sustentado o trabalho da Legião da Boa Vontade (LBV), que neste mês de janeiro (1º) completa 68 anos de serviços permanentes em prol das populações em situação de vulnerabilidade.


Combater as desigualdades sociais para que as populações tenham qualidade de vida e oportunidades iguais é o que tem feito a LBV, ao longo destes quase 70 anos, com a ajuda do povo. Em suas 82 unidades socioeducacionais, ela promove diariamente programas de atendimento a pessoas de todas as faixas etárias, a começar pela primeira fase da vida, ainda no ventre materno, em que gestantes têm a autoestima elevada e aprendem a cuidar dos filhos; crianças e adolescentes têm o apoio necessário para o seu desenvolvimento integral por meio de atividades pedagógicas, lúdicas, artísticas, culturais, esportivas e de lazer, em ambientes seguros e saudáveis; jovens e adultos têm oportunidades de se capacitar e desenvolver habilidades e competências para o mundo do trabalho; e idosos são amparados e têm seus direitos garantidos.

A LBV promove, ainda, inúmeras campanhas, como as emergenciais que amparam famílias vítimas de catástrofes naturais (frio, enchentes e seca); as de mobilização social que beneficiam crianças, adolescentes e jovens com kits de material escolar e pedagógico, e famílias, com doações de cestas de alimentos; e as de valorização da Vida que incentivam a doação de sangue e que atuam na prevenção e no combate ao suicídio e de doenças como diabetes, câncer de mama e de próstata.

Todo esse trabalho é permeado pela Espiritualidade Ecumênica, ou seja, por valores fraternos como Amor, Solidariedade, respeito mútuo e compaixão.

Saiba mais acessando o site www.lbv.org ou as páginas da Instituição nas redes sociais, no endereço LBV Brasil, no Facebook, no YouTube e no Instagram.

Da LBV

terça-feira, 12 de julho de 2016

Renda | Cerca de 23% da população ganham menos que o salário mínimo

Foto: Imagens USP
A recessão está empurrando cada vez mais brasileiros para a pobreza. No primeiro trimestre deste ano, o número de trabalhadores que ganham menos de um salário mínimo (R$ 880), chegou a 23,4% da população economicamente ativa (PEA). Em 2012, eram 19,4%. Mas não é só isso: todas as faixas de pobreza inflaram desde então. Isso significa que a crise econômica e o desemprego jogaram na informalidade um em cada quatro trabalhadores brasileiros.

O professor da Universidade de São Paulo Rodolfo Hoffmann, autor do estudo, explicou que, como no emprego formal não é permitido pagar menos do que o mínimo, a não ser para estagiários ou em jornada de meio turno, os dados apurados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad) mostram que mais brasileiros estão vivendo de bicos.

É o caso de André Santos, 32 anos, que sustenta a esposa e quatro filhos pequenos com apenas R$ 700 mensais, de bicos que faz como auxiliar de pedreiro. “Todo tipo de conta eu já deixei de pagar para dar comida para as crianças — água, luz, gás, tudo. Não dá mais. Não estamos conseguindo sobreviver assim. A gente não tem ideia do que vai fazer”, desesperou-se.

André trabalhou no campo durante dois anos para uma empresa na plantação de eucaliptos. Na época, ganhava mais que o mínimo. Dispensado há dois anos, não encontrou outro emprego até hoje. “Tem dias que eu me desespero ao pensar nas coisas que tenho que pagar. É difícil”, disse.

No levantamento, Hoffmann identificou que os 11,1% da PEA que ganhavam até R$ 200 no início de 2012 já eram 14,7% no primeiro trimestre deste ano; os que ganhavam até R$ 400 passaram de 15,7% para R$ 19,7% no mesmo período. Se a linha da pobreza for de renda até R$ 600 mensais, são 24,3% agora, ante 21,4% há quatro anos. “Chamou a atenção o aumento da informalidade de empregadas domésticas”, disse o professor. O dado mostra que a lei das domésticas acabou por precarizar o trabalho da categoria, que migrou para o serviço de diarista, sem carteira e declarando menos renda.

Do Correio Braziliense

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