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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Vendas no varejo para o Natal devem somar R$ 72,71 bi e crescer 2,1% ante 2024, aponta CNC

Estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta faturamento de R$ 72,71 bilhões, superando os R$ 71,33 bilhões registrados em 2015


A pesquisa estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) para as vendas no varejo relacionadas ao Natal projeta um volume de vendas que chega a R$ 72,71 bilhões em 2025, 2,1% a mais do que o negociado na mesma data de 2024, quando o faturamento chegou a R$ 71,2 bilhões. Caso a estimativa seja confirmada, 2025 seria o melhor Natal para o comércio desde 2014, quando o varejo movimentou R$ 77,26 bilhões na mesma data. Os dados estão corrigidos pela inflação do período e foram divulgados pela CNC nesta quarta-feira, 3 de dezembro.


“Em um ano de desaceleração da economia e do comércio, a estimativa representa esperança para os varejistas, que podem compensar uma parte das dificuldades causadas pelo alto custo de acesso ao crédito e endividamento da população no Brasil ao longo de 2025. Esperamos entrar em 2026 com bons resultados para os comerciantes e boas festas em todos os lares brasileiros”, celebra o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.


Para quem procura oportunidade profissional na área do varejo, a projeção de contratações temporárias para o setor também é animadora. Enquanto o faturamento deve crescer 2,1%, a mesma pesquisa aponta um aumento de aproximadamente 5% na quantidade de vagas temporárias para o Natal de 2025 em comparação ao ano anterior: 107,1 mil pessoas foram contratadas para funções relacionadas a vendas natalinas em dezembro de 2024, enquanto, neste ano, 112,6 mil vagas devem ser oferecidas a trabalhadores temporários. Além disso, empresários estimam que 12,1 mil ou 11% desta população deve ser efetivada, segundo a pesquisa.


“Esta variação positiva foi detectada ainda no Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de novembro, pesquisa para a qual 70% dos comerciantes entrevistados afirmaram estar projetando contratações para o período de boas vendas que se inicia na Black Friday e vai até o Natal. Essas oportunidades podem gerar impacto positivo em curto e médio prazo, pois a estabilidade no baixo desemprego no País pode contribuir para melhorias na economia em 2026”, projeta o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.


Onde estão as oportunidades?


Quase metade dessas vagas deve ser aberta pelo setor de hiper e supermercados (49,42%), seguido por lojas de vestuário e calçados (22,58%) e utilidades domésticas e eletroeletrônicos (16,82%). Mercados (43,3%) e lojas de vestuário e calçados (31,4%) também lideram na projeção de faturamento, com R$ 31,51 bilhões e R$ 22,82 bilhões de estimativas de vendas, respectivamente.


A remuneração média também cresce na estimativa dos comerciantes para o Natal, na comparação de 2025 com 2024: segundo a pesquisa da CNC, a remuneração média deve alcançar R$ 1.983,54, valor 7,4% maior do que o registrado nas vagas temporárias do ano anterior — 2,7% acima da inflação acumulada nos últimos 12 meses.


Impacto no bolso dos consumidores


A variação média de preços da cesta típica de produtos relacionados à data aponta um aumento de 2,5% diante dos preços encontrados no Natal de 2024. O maior aumento do custo dos presentes é projetado para itens como joias e bijuterias (+20,5%), artigos de maquiagem (+8,4%) e livros (+7,2%), enquanto aparelhos telefônicos (-7,2%), TVs, aparelhos de som e de informática (-4,5%) e vinhos (-1,2%) devem ficar mais baratos do que em 2024.






segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Vendas do varejo deverão ter crescimento real de 1,5%, em 2024, aponta CNC

O varejo nacional deverá ter crescimento real do volume de vendas, isto é, descontada a inflação, de 1,5%, em 2024, contra 1,8% estimados para 2023. Segundo disse à Agência Brasil o economista Fabio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a diferença decorre da expectativa de que o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os produtos e bens fabricados no país) cresça menos no próximo ano em relação a 2023.


 

“Este ano, o PIB deve crescer em torno de 3% e, no ano que vem, a expectativa é em torno de 1,7% a 1,8%. Isso quando a gente analisa o dado geral”. Segundo Bentes, quando se analisam os segmentos do varejo, há uma mudança na composição desse crescimento. “Porque em 2023, os segmentos que dependem de crédito tiveram uma performance muito ruim”. Explicou que enquanto na média do comércio, o volume de vendas está crescendo 1,6% este ano, nos segmentos que dependem de crédito, como materiais de construção, as vendas estão caindo 2,1%; no setor de vestuário e calçados, -6,7%; no setor de artigos de uso pessoal e doméstico, -11,3%.



Por outro lado, quando se avalia o consumo essencial, que envolve segmentos que não dependem tanto do crédito, verifica-se crescimento de 4,9% em combustíveis e lubrificantes; de 4,3%, em farmácias, drogarias e perfumarias; e de 3,8% no setor de supermercados. “Há uma composição bem diferente”, disse o economista da CNC.


Empregabilidade



Em 2024, isso tende a ser um pouco mais equilibrado, porque a flexibilização da política monetária, com o corte da taxa básica de juros (Selic), é um fenômeno ainda muito recente em 2023. A expectativa é chegar até o final do ano que vem com taxa básica de juros de um dígito, em torno de 9% a 9,5%. “Essa é uma aposta para 2024”. A queda dos juros tende a ajudar os setores que estão mal ao longo de 2023 e que dependem mais de crédito. “Isso vai se refletir nos números de empregabilidade no comércio”.




Atualmente, o emprego está crescendo mais em atividades essenciais do varejo, como supermercados e hipermercados. “Em 2023, os segmentos essenciais estão bem melhores do que os não essenciais. Mas no ano que vem, essa composição do crescimento tende a ser diferente. No caso do comércio, os segmentos tendem a ter um crescimento mais equilibrado”.


 

No setor de serviços, incluindo turismo, a CNC estima expansão, em 2023, de 2,9% para serviços e de 7,4%, para turismo. Quando se olha para 2024, os dois setores também devem crescer menos: 2,7% para serviços e 2,1% para turismo.

 


Reposição


Fabio Bentes destacou que no setor de turismo, ocorreu geração forte de postos formais de trabalho. De janeiro a outubro deste ano, foram criadas 147 mil vagas no turismo. Em 2022, no mesmo período, o número foi maior: 193 mil empregos gerados. “Portanto, neste ano de 2023, o setor teve crescimento menor do emprego porque, na primeira metade de 2022, o setor estava repondo muitas das vagas perdidas no período da quarentena, durante a pandemia da covid-19. O setor chegou a perder, nos primeiros meses da pandemia, 470 mil vagas. E já conseguiu criar, a partir do final de 2020, mais de 600 mil vagas. Então, o setor de turismo já repôs as vagas que foram eliminadas durante a pandemia. O setor de comércio também”, indicou.


 

Bentes atribuiu o bom desempenho do setor de turismo, nos últimos anos, ao segmento de alimentação, com destaque para bares e restaurantes, que atendem também os não turistas, ou seja, os residentes. “Enquanto outros setores afundaram, como setor aéreo e o setor de hospedagem, o setor de bares e restaurantes apresentou uma performance melhor, tanto em termos de volume de receitas como de empregabilidade. Mas, de modo geral, todos os segmentos do turismo já conseguiram repor as vagas eliminadas durante a pandemia”.



No comércio em geral, de janeiro a outubro deste ano, foram criadas 105,4 mil vagas de trabalho, contra 167,5 mil no ano passado, em igual período. “Todos os segmentos do varejo que, este ano, estão no azul, estavam com saldo maior no mesmo período do ano passado”. A liderança na criação de vagas este ano foi exercida por supermercados, com 49,2 mil vagas abertas, seguidos de combustíveis e lubrificantes, com 13 mil vagas geradas, e artigos de uso pessoal e doméstico (+4,6 mil vagas). Do lado contrário, estão mal o setor de vestuário, que fechou 31 mil vagas, contra -8,3 mil vagas em 2022, e de móveis e eletrodomésticos (-1 mil vagas). O economista avaliou que embora o resultado de 2023 seja positivo, ele é mais fraco do que o do ano passado.




O setor de serviços como um todo gerou 976 mil postos de trabalho formais, em 2023, com aumento de 4,8% em relação ao estoque de 2022. “É mais do que a média do próprio mercado de trabalho, que foi positiva em 4,2%”, comentou Bentes. O setor de serviços vai fechar o ano vigente com aumento de receita da ordem de 2%, embora a projeção é que esse número deverá cair um pouco no próximo ano. A análise teve por base dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.



Ganho real


Fabio Bentes informou que o salário médio de admissão é utilizado como referência. “Se o salário médio de admissão está aumentando muito acima da inflação isso é indicativo de que aquele segmento ou mercado de produção está bem aquecido”. O setor que apresentou maior aumento no salário médio de admissão de janeiro a outubro de 2023, em comparação a igual período do ano anterior, foi transporte aéreo, com 27%. O salário subiu de R$ 2.658,16 para R$ 3.374,98. Bentes lembrou que o segmento passou por uma turbulência nos últimos anos em função da pandemia, quando muita gente foi desligada e agora está sendo readmitida.



Os setores que registram grande número de pessoas entrando no mercado de trabalho são os serviços públicos, como água, esgoto e gestão de resíduos ( 13%), eletricidade e gás ( 31%). “Os serviços de utilidade pública têm apresentado variação de salário maior do que outros setores da economia. Eles estão em um plano macro”.



No comércio, verifica-se que o salário médio vem subindo entre 6% e 10%. Considerando que a inflação no período foi de 5%, a percepção é positiva da remuneração no mercado de trabalho. Ou seja, houve um ganho real, no caso do comércio, o que significa que todos os segmentos ganharam da inflação. No setor de turismo, só aluguel de veículos, transporte marítimo, agências de viagens e serviços culturais não tiveram ganho real no salário médio de admissão.


 

Na parte de serviços, perderam da inflação os segmentos de atividades imobiliárias (4,7%), atividades profissionais, científicas e técnicas (2,4%), atividades administrativas e serviços complementares (4,5%), administração pública, defesa e seguridade social (-1,4%), educação (4,8%), saúde humana e serviços sociais (3,4%), artes, cultura, esporte e recreação (3%), outras atividades de serviços (4,9%) e serviços domésticos (4,1%).



No caso do comércio, da agropecuária e da indústria, há ganhos reais salariais, apontou o economista. Bentes destacou que, pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a massa de rendimento do mercado de trabalho no Brasil cresceu 5% acima da inflação no terceiro trimestre deste ano, em comparação a igual período do ano passado, “mais por conta do aumento da renda do que do crescimento da ocupação. O que a gente pode dizer é que a massa de rendimento no Brasil está crescendo mais por conta da desaceleração dos preços do que de uma abertura maior de postos de trabalho”.


Da Agência Brasil | foto: Valter Campanato/Agência Brasil

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Inadimplência bate recorde entre as famílias mais pobres, aponta CNC

De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a porcentagem de famílias sem condições de pagar as contas atrasadas subiu de 10,6% em outubro para 10,9% no mês seguinte. Na comparação com novembro do ano passado, o aumento é ainda maior, de 0,8 pontos percentuais.


Sobre o nível de endividamento, a pesquisa apurou que 17,5% das famílias se consideram ‘muito endividadas’, o que representa um aumento de 2,7 p.p. em relação a novembro de 2021. Em contrapartida, o número de endividados, em geral, apresentou recuo no último mês. Na comparação com outubro, houve queda 0,3 p.p. na quantidade de brasileiros endividados no país, que atingiu 78,9% da amostra total.


O levantamento também registrou o maior número de pessoas inadimplentes entre os que ganham até 10 salários mínimos desde o início da série histórica, iniciada em 2010. Ao todo, 34,1% consumidores atrasaram dívidas, o que contribuiu para que a porcentagem de famílias inadimplentes avançasse no último mês.


Para o planejador financeiro pessoal, Davi Augusto Rodrigues, não adianta dar respostas fáceis para quem possui poucas condições financeiras, para se livrar das dívidas. “É importante ficar atento também, uma vez que se entre em uma situação de dívida, em uma situação de inadimplência, que há programas de renegociação de dívida, há possibilidade de renegociação de dívida”, frisa.


“Isso pode ajudar essas pessoas que estão nesse tipo de situação. Muitas vezes a pessoa tem uma baixa renda, teve que entrar em uma determinada dívida, teve que pagar uma determinada dívida. Se essa dívida está pesando, ela pode tentar fazer uma renegociação, pode tentar alongar o prazo daquela dívida para deixar em parcelas um pouco mais suaves, que deixem mais fáceis de serem pagas”, completa o planejador.


O resultado foi ainda pior entre as mulheres. Na comparação com novembro do ano passado, o índice de mulheres consideradas ‘muito endividadas' subiu 3,3%, enquanto que, entre os homens, o aumento foi de 1,9%. Em geral, o público feminino é o mais endividado no Brasil, com 80,7% possuindo algum tipo de dívida no mês passado.


Aumentam inadimplentes há três meses

O levantamento também mostra que houve aumento entre os consumidores que estão inadimplentes há três meses ou mais. Segundo a confederação, de todas as famílias que estão na inadimplência, 42,5% estavam nesta situação há pelo menos 90 dias, no mês passado. Isso demonstra um aumento de 0,6 p.p. ante outubro e de 1 p.p. na comparação com novembro de 2021.


Segundo o diretor da Valorum Empresarial, Marcos Sarmento Melo, uma das saídas que os consumidores encontram para pagar as contas pode se tornar um ‘beco sem saída’, que são os empréstimos e crédito, além da modalidade de cheque especial.


“Aí veio também uma pandemia em que se fechava tudo e aumentou muito a quantidade de desempregados. É evidente que todas essas coisas afetam sempre os mais vulneráveis. Então aqueles que estão na pirâmide de renda mais baixa, por exemplo, tendem a ter seu poder de compra reduzido”, explica o especialista em finanças.


Para o educador financeiro e diretor do Instituto Eu Defino, Alexandre Arci, a melhor saída é o investimento por meio da poupança, para tentar garantir um pouco de segurança para as adversidades. “Isso serve para ele tentar se proteger um pouquinho de ações tão agressivas e, mais do que isso, a construir um fundo de investimento de proteção: a tão sonhada poupança, mas não como investimento e, sim, como proteção para momentos adversos”, opina.


 Por: Correio Braziliense | (Crédito: Ed Alves/CB)


sexta-feira, 8 de julho de 2022

Endividamento das famílias é de 77,3% em junho, aponta CNC

Em junho, a proporção de famílias com dívidas a vencer ficou em 77,3%, o que representa uma queda de 0,1 ponto percentual em relação a maio. Na comparação com junho de 2021, houve crescimento de 7,6 pontos percentuais.


Os dados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) foram divulgados nesta quinta-feira (7) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).


De acordo com a CNC, esta é a segunda queda seguida no endividamento, após a alta recorde registrada em abril, quando o indicador ficou em 77,7%. As dívidas no cartão de crédito representam a maior fatia do endividamento, com 86,6% do total de famílias relatando este tipo de dívida. Em seguida vem os carnês, com 18,3%, e o financiamento de carro, com 10,8%. Em junho de 2021, essas proporções eram de 81,8%, 17,5% e 11,9%, respectivamente.


Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, a queda no endividamento reflete a melhora no mercado de trabalho. “Com menos restrições impostas pela pandemia e as medidas temporárias de suporte à renda, como saques extraordinários do FGTS, antecipações do 13º salário, INSS e maior valor do Auxílio Brasil, a população precisou apelar menos para os gastos no cartão”.


Inadimplência

A pesquisa mostra que a inadimplência também apresentou queda, com retração de 0,2 ponto percentual na proporção de famílias com contas em atraso para 28,5%. Esta é a primeira queda desde setembro de 2021. A mesma queda foi verificada entre as famílias que afirmam não ter condições de pagar as contas atrasadas, com 10,6% do total.


A responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, explica que a melhora no mercado de trabalho não se reflete no rendimento, pois estão sendo absorvidos trabalhadores com menor nível de escolaridade e o rendimento médio está achatado pela inflação elevada.


“Além disso, o avanço recente da informalidade no emprego é mais um fator que aumenta a volatilidade da renda do trabalho e atrapalha a gestão das finanças pessoais”.


Os dois recortes por faixas de renda apresentaram leve queda na proporção de endividados. Entre as famílias com rendimentos acima de dez salários mínimos, a redução foi de 0,2 ponto percentual (p.p), para 74,2%, enquanto a parcela com ganhos até dez salários mínimos caiu 0,1 p.p, para 78,2%.


Por Agência Brasil - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Confiança do comércio cai em fevereiro, aponta CNC

Depois das altas verificadas em dezembro e janeiro, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) caiu 1,2% em fevereiro, embora ainda permaneça na zona de confiança, com 119,3 pontos. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (16) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).


De acordo com a CNC, a taxa quase eliminou o crescimento de janeiro, de 1,4%. No acumulado do ano o aumento é de 0,2%. No mesmo bimestre do ano passado, houve diminuição de 2,7%. O Icec dessazonalizado se manteve na zona de satisfação pelo oitavo mês seguido e se igualou ao nível de setembro do ano passado.


Os três componentes do indicador e os nove subfatores apresentaram queda em fevereiro, pessimismo verificado pela última vez em abril de 2021, quando o Icec registrou taxa negativa de 6,4%, diante do quadro de incertezas e restrições impostas pela pandemia da covid-19, com o índice caindo para 95,7 pontos. Ao longo de 2021, houve oscilações no índice, com tendência de alta acompanhando a vacinação da população contra a covid-19 e a reabertura do comércio.


O pessimismo no mês foi influenciado pelo aumento na energia elétrica e nos combustíveis; o reajuste dos aluguéis; a pressão nos preços no atacado; dificuldades de repasse dos custos; consumo morno e famílias endividadas; mercado de trabalho em recuperação; juros ascendentes e inflação.


“Nessas condições, as estimativas hoje são de baixo volume de faturamento do comércio varejista em 2022. Noutro sentido, promissoramente, tem-se as perspectivas de arrefecimento da inflação, à medida que a política monetária vem gerando efeitos desejados na economia, em particular sobre a atuação do comércio e a formação dos preços ao consumidor”, explica a CNC.


A maior queda entre os componentes do Icec ocorreu nas expectativas empresariais dos comerciantes, com redução de 1,6%, impactada pela percepção negativa da conjuntura sobre a empresa (1,9%). O indicador das condições atuais do empresário teve queda de 1,4%, ficando em 100,4 pontos. Entre os subfatores, as condições da economia tiveram a maior variação, com queda de 2,4%.


Em termos regionais, o pessimismo foi disseminado por todo o país. “Os comerciantes da Região Sul apresentaram maior queda da confiança (1,7%), enquanto no Norte o índice foi onde menos decresceu (0,5%)”, aponta a CNC.


Por porte de empresas, as de menor porte ficaram em 119,2 pontos, com um nível de confiança abaixo das de maior porte, que bateram 124,6 pontos. O subindicador das condições atuais do empresário do comércio (Icaec) ficou indiferente, por causa das empresas de menor porte (100,3 pontos), enquanto as de médio e grande portes ficaram com confiança em nível superior, nos 107,8 pontos.


Por categoria de uso, as empresas de bens duráveis tiveram queda de 2,7% na confiança, devido à alta dos juros. Os segmentos de semiduráveis e o de não duráveis caíram 0,3%. Com isso, o Icaec dos não duráveis ficou em 100,4 pontos, o dos semiduráveis chegou a 107,7 e o dos não duráveis foi de 100,4 pontos.


A intenção de investimentos teve queda de 0,9%, com a diminuição da confiança em se implementar gastos de investimentos na empresa que caiu 1,9%.


O subindicador de estoques caiu 0,1% e ficou em 88,9 pontos, devido às dificuldades em calibrar o nível de produto com a demanda. As intenções de contratação de pessoal caíram 0,4%, refletindo as expectativas para os próximos meses da economia.  


Da Agência Brasil / (Rovena Rosa/Agência Brasil)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Endividamento das famílias em 2021 atinge o maior patamar em 11 anos, aponta CNC

O endividamento das famílias brasileiras chegou a 70,9% em 2021, o maior nível em 11 anos. O nível atingiu patamar mais crítico no final do ano, com 76,3% em dezembro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio nesta terça.



Para famílias de menor renda, com orçamento de até 10 salários mínimos, o endividamento atingiu patamar recorte no último ano, de 72,1%, com aumento de 4,3 pontos percentuais ante 2020. Já para pessoas com renda superior aos 10 salários mínimos, a taxa chega a 66%, porém com aumento mais significativo, de 5,8 p.p..


Em 2021, apenas a região Centro Oeste registrou redução de endividamento familiar, ante 2020, com queda de 0,3 pontos percentuais. Os maiores aumentos foram registrados no Sudeste (5,9 p.p.) e no Sul (5,5 p.p.), que contabiliza a maior quantidade de pessoas contraindo dívidas, 83%.


Os números, segundo a CNC, mostram que os brasileiros estão recorrendo mais ao crédito para manter o consumo. Para o presidente do órgão, José Roberto Tadros, entre famílias com orçamento superior a 10 salários mínimos, o endividamento aumentou devido à demanda represada por serviços, e crescimento do uso do cartão de crédito.


"O processo de imunização da população possibilitou a flexibilizaçao da pandemia, refletindo no aumento da circulação de pessoas nas áres comerciais ao longo do ano, o que respondeu à retomada do consumo", afirma.


O crescimento da demanda por crédito, porém, não puxou para cima os números de inadimplência das famílias, que segundo a Peic, registraram leve queda contra 2020, de 0,3 p.p., e fechou 2021 em 25,2%.


O atraso no pagamento de contas ou dívidas seguia tendência de queda até maio de 2021, mas voltou a subir e fechou dezembro em 26,2% do total de famílias, patamar acima da média.


Entre as famílias que declaram não conseguirem pagar contas ou dívidas e, portanto, continuarão inadimplentes, houve contração de 0,6 p.p. entre 2020 e 2021, mas ainda representa um em cada dez brasileiros. O patamar, que oscilou em alta no primeiro semestre, acabou fechando o ano abaixo da média.


Com o indicador de atraso de contas crescendo nos últimos meses do ano passado, a economista Izis Ferreira, responsável pela pesquisa, acredita que o cenário deve se sustentar nos primeiros meses de 2022. Ela cita o enfrentamento de cenário adverso, com juros e inflação altos e dificuldade de recuperação do mercado de trabalho formal, aliados ao vencimento de despesas típicas do primeiro trimestre.


Por Agência O Globo / Foto: Marcelo Casal / Agência Brasil

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