quarta-feira, 13 de maio de 2026

Setor têxtil do Agreste alerta para risco de concorrência desleal com fim da 'taxa das blusinhas'

Foto: Moda Center Santa Cruz
Em entrevista, CEO da Rota do Mar defende isonomia tributária e critica diferença de custos entre produção nacional e plataformas estrangeiras


O setor de confecções do Agreste pernambucano manifestou preocupação com a possibilidade de suspensão da taxa de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada "taxa das blusinhas".


Em entrevista concedida na manhã desta terça-feira (12) ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, o CEO do Grupo Rota do Mar, Arnaldo Xavier, classificou a competição com plataformas asiáticas como "desleal" e alertou para os riscos à economia regional.


O Polo Têxtil do Agreste, que abrange cerca de 17 municípios — com destaque para Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama —, registrou uma movimentação financeira de R$ 18,6 bilhões em 2025, um crescimento de 19,2% em relação ao ano anterior.


Segundo o executivo, o setor é responsável por uma vasta rede de empregos e renda que se estende para estados vizinhos, como Paraíba e Rio Grande do Norte.


Impacto econômico e disparidade tributária

A principal crítica do setor recai sobre a diferença na carga tributária. Enquanto as plataformas internacionais recolhem aproximadamente 40% em impostos, a soma da tributação sobre a produção e comercialização nacional pode atingir 90%.


Xavier aponta que essa disparidade inviabiliza a competição, especialmente no segmento focado em consumidores de baixa renda, que representa 80% das vendas do polo.


"A gente tem a certeza de que a queda, quando eles estavam sem a taxação, foi gigante. A gente viu o impacto e agora que a gente está começando a crescer novamente, essa taxação tende a voltar e a gente não aceita. Eu acho que é injusto e vamos levantar essa bandeira, vamos reunir e não pode estar acontecendo isso. Isso é um absurdo que está acontecendo no nosso país", afirmou Arnaldo Xavier .


O executivo também ressaltou a diferença nas condições de trabalho entre os mercados: "É injusto e é necessário que tenha igualdade de apoio. A gente precisa, no mínimo, ser igual. Mas aí quando vêm pessoas de fora sendo beneficiadas e a gente fica de braços cruzados esperando alguma coisa acontecer... imagina quando a gente percebe isso indo para o ralo, porque a concorrência está super desleal e a gente não admite".


Mobilização política e produtiva

Para enfrentar o cenário, empresários e entidades de classe, como a Associação Comercial e Industrial de Toritama (ACIT) e a CDL, articulam uma agenda com prefeitos e parlamentares.


O objetivo é levar os dados do impacto econômico ao Governo de Pernambuco e à bancada federal em Brasília.


Os principais pontos de atenção destacados pelo setor são:


Manutenção da taxação: garantir que produtos importados não tenham vantagens fiscais sobre os nacionais;

Revisão de encargos: discussão sobre a carga tributária que incide em cada etapa da produção e venda direta ao consumidor;

Segurança jurídica: evitar mudanças repentinas em regras que sustentam investimentos em modernização e maquinário feitos nos últimos anos.

"A ideia é que possamos reunir o ex-prefeito de Toritama, o secretário de Santa Cruz do Capibaribe, junto com o prefeito, para que a gente possa ir até o palácio e, juntamente com a equipe da governadora, falar sobre isso para que todos possam abraçar essa causa. Esse é o momento importante", concluiu o CEO .


Do JC PE