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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Proibição das vaquejadas tira município de Surubim do mapa do turismo

O município de Surubim já passou pela proibição de sua vaquejada em 1942. Foram sete anos sem as suas corridas de mourão. Na década de 1960 a atividade sofreu novas pressões da Sociedade Protetora dos Animais. No entanto, desta vez, ao julgar uma ação movida pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra uma Lei Estadual cearense que regulamentava a vaquejada como atividade desportiva e cultural, o STF considerou-a inconstitucional. Ao manifestar-se contra, criou jurisprudência que poderá ser utilizada no país inteiro e inviabilizar em definitivo as vaquejadas.

Considerada como a Capital das Vaquejadas pela sua tradição, pois realiza a mais antiga dessas festas de gado do Brasil, Surubim vê desmontar-se o seu carro chefe do turismo municipal. Com isso deverá contabilizar perdas irreparáveis em sua economia.

Não se sabe se a Frente Parlamentar que foi criada em Brasília para defender a regulamentação das vaquejadas logrará algum êxito. Esse grupo nos próximos dias apresentará no Congresso uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) visando alterar o Código 215 da Constituição Federal incluindo as vaquejadas como uma das manifestações culturais a serem protegidas. Conforme o deputado dederal Kaio Maniçoba (PHS) a bancada do Nordeste irá realizar no dia 25 deste mês em Brasília, uma grande manifestação com esportistas e admiradores das festas de mourão chamando a atenção para a importância desses eventos tanto sob o ponto de vista econômico quanto cultural.

Elas são as mais importantes festas de gado do Brasil e consideradas o único esporte genuinamente nacional. São, evidentemente, expressões do Nordeste Arcaico e fazem parte das raízes culturais de uma região onde se implantou há quase meio milênio a pecuária nacional. Levando em consideração o respeito à identidade cultural do povo dos sertões nordestinos sua proibição corresponde à proibição dos cultos afros pelo fato de que dentro das cerimônias dessas religiões são sacrificados animais de forma cruel, ou as beberagens do culto da Jurema ou do Santo Daime por propiciarem visões alucinógenas.

Enquanto tudo isso acontece, os rodeios continuam a todo vapor. Há quem diga que o preconceito contra o Nordeste mais outra vez voltou a manifestar-se.

Do Correio do Agreste

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